Como o católico deve lidar com a Carência?


Por que, na vida de muitos cristãos, a palavra “carência” as acompanha durante toda a vida adulta e, muitas vezes, até na velhice?

A palavra “carência” é por nós conhecida desde muito cedo, quando começamos a aprender a lidar com nossos sentimentos e emoções. Por que muitas pessoas chegam ao apogeu da vida sem nunca terem conseguido lidar, de forma eficaz, com suas carências? Será que estas são reflexo da falta de amor dos pais na infância? Seriam elas fruto de algum trauma vivido ou consequência de algum tipo de abandono sofrido? Muitas aqui poderiam ser as respostas. 

Temos diversas fontes de afeto que não são reconhecidas, pois nossa cultura quase sempre nos cobra que estejamos namorando ou casados; apesar de esta não ser uma garantia para a plenitude afetiva. Por conta dessa crença, ficamos menos seletivas e acabamos entrando em relacionamentos que, algumas vezes, são transformados em sofrimentos quando acabam os encantos.

Percebemos que muitas pessoas são carentes de carinho, de atenção, envolvimento e reconhecimento; enfim, são carentes de amor. Mas um fato que nos chama à atenção é que em algumas pessoas a carência pode ultrapassar um limite saudável.

Pessoas que exigem atenção o tempo todo, que nunca estão satisfeitas, sempre se queixando e cobrando demais, que são ciumentas e possessivas podem realmente conseguir afastar muitas pessoas de perto delas e atrair para si aquilo que menos desejam: a indiferença e a frieza. A impressão que passam é que nada do que se faça é o bastante para que se sintam amados e satisfeitos, vivem envolvidas em carência total, reclamando manifestações carinhosas. Homens ee Mulheres assim podem acabar sendo tidas por chatas, enfadonhas e inconvenientes.

Para aprendermos a lidar com nossas carências de uma forma equilibrada e saudável, precisamos, antes de tudo, aprender a lidar com nosso psiquismo e amar a nós mesmas com equilíbrio.

Aqui vão algumas dicas que podem nos ajudar:

1) Coloque sua vida diante de Deus, peça a ajuda e a presença d’Ele neste caminho de autoconhecimento. Conte sua história para si mesma e para o Senhor, peça que o Espírito Santo lhe revele as raízes de suas carências.

2) Espere menos das pessoas. Lembre-se de que ninguém é responsável por preencher todas as suas necessidades de afeto e atenção. Portanto, não deposite uma expectativa exagerada sobre os outros, porque eles não podem corresponder. Faça por você mesma o que gostaria que os outros lhe fizessem, em vez de esperar isso delas. Dê-se atenção, presentei-se, gaste um tempo só para si mesma.

3) Cultive sua autoestima. Faça coisas boas para si mesma, procure envolver-se em atividades nas quais você se sinta bem. Valorize esses momentos. Procure ter uma vida saudável e equilibrada. Cuide bem de sua mente com boas leituras, cuide de seu corpo com atividades físicas, alimentação saudável e boas horas de sono.

4) Cultive amizades saudáveis e procure estar perto daqueles que ama, de sua família e de pessoas que você sabe que lhe querem bem. Se você sente que deposita muito sua necessidade de afeto em uma única pessoa, procure alimentar e cultivar outros relacionamentos. Existem muitas outras relações que podem suprir nossas carências além do namoro ou do casamento.

5) Veja os demais setores da sua vida, valorize suas conquistas e suas vitórias, não deixe que sua psique se comprima em apenas um aspecto da realidade, naquilo que lhe falta ou nas perdas vividas. Dê valor às coisas boas que você faz, sobretudo às suas qualidades.

6) Viva o momento presente, viva o aqui e o agora. Você alimenta carências quando fica presa a um passado que não volta mais ou projeta um futuro que ainda é incerto. Lembre-se de que a maior dádiva que você tem é o momento presente, portanto, procure se envolver com aquilo que está fazendo e vivendo hoje.

7) Cultive a esperança, tenha sempre novos projetos em mente, seja na área profissional, no lazer, num novo curso ou num hobbie. Não deixe de sonhar e acreditar, mas tenha sempre os pés fincados no chão.

8) Busque ajuda profissional se julgar necessário, antes que a carência possa levá-la à depressão ou à falta de sentido na vida. Aprenda a identificar os vazios e as angústias, falar sobre situações e sentimentos difíceis com a ajuda de um profissional capacitado para ajudá-lo a traçar caminhos para sua recuperação emocional.

9) Não tenha medo da solidão. Aprenda a fazer coisas boas e agradáveis em sua própria companhia, descubra a alegria de estar com si mesma e a solidão deixará de ser tão temida e desagradável. E nunca se esqueça de que Jesus caminha com você em todos os momentos, especialmente naqueles onde se sente mais só.

10) Por fim, alimente e cultive sua vida espiritual, eduque sua vontade, busque o equilíbrio e o autodomínio sobre suas emoções e seus sentimentos. Não permita que suas carências e seus desafetos o dominem. Saiba que sentimentos nem sempre você pode escolher, mas o que vai fazer com eles é você quem decide; experimentar isso é poder experimentar a liberdade de viver guiada pelo Espírito.

COMO LIDAR COM A CARENCIA


Se você ao ler tudo isso se identificou, ou se viu em tudo que falamos e reconhece que sofre deste mal algumas orientações práticas, não é receita de bolo ou “fórmula mágica”:

1) Reaja. Dificilmente se vence este mal sozinho. Reconhecer que precisa de ajuda é o primeiro passo. Mas não adianta assumir e não reagir. Converse com as pessoas mais próximas e de sua confiança sobre seus sentimentos e necessidades, seus pais e amigos próximos. Abra o seu coração e declare seu desejo em receber ajuda. Você precisa admitir que precisa de ajuda e reconhecer que não conseguirá sozinha(o).

2) Busque ajuda. Procure o acompanhamento de um conselheiro cristão, profissional ou seu líder espiritual também pode ajudar. Algumas pessoas ainda acreditam que somente pessoas “loucas”, precisam de psicólogo. E muitos cristãos que eu conheço, ainda têm resistência em buscar ajuda psicológica. Existem excelentes psicólogos e psicanalistas cristãos espalhados pelo Brasil. Mesmo que isso tenha um custo, vale a pena o investimento.

3) Exercite-se. Faça caminhadas, ande de bicicleta, natação, hidro ou matricule-se em uma academia. A atividade física aumenta a produção do hormônio que dá a sensação de bem-estar e preencherá parte do seu dia, sobrando menos espaço para se sentir sozinho(a).

4) Olhe ao seu redor. Quando você se sentir carente, volte seu olhar para os outros setores de sua vida e perceba o quanto está perdendo em qualidade de vida afetiva quando acredita que só pode ser suprida ao estar mergulhada(o) num relacionamento a dois. Aprenda a tempo de qualidade com seus pais, amigos, colegas de trabalho e irmãos da igreja onde você frequenta.

5) Busque experiências com Deus. Quando você tiver o entendimento de quem é o Espirito Santo, você entenderá que nunca esteve sozinho. Somente em Deus você encontrará todo amor que você necessita. Nenhum outro relacionamento te suprirá como um relacionamento intimo com Deus. Mas você precisa buscar ter experiências pessoais com Deus como um Pai. Não algo superficial, raso, mas um relacionamento profundo, e isso fluirá através de uma busca diária. Durante todo o livro vamos trazendo orientações que poderão te ajudar a colocar isso em prática.

Biblicamente falando estar solteiro deve ser considerado como algo bom, e não ruim como muitos acreditam. Pois a nossa identidade e felicidade está em Cristo e não no casamento; nossa realização está na comunhão com Deus e não em nosso semelhante, é em Deus que encontramos significado para a nossa vida e não no estado civil. Logo o solteiro precisa aprender a confiar que se o Senhor não lhe der uma companhia neste momento, Ele lhe dará força íntima para que você suporte com paciência e paz esta fase na da sua vida. Há uma declaração linda na Palavra de Deus escrita por Paulo, que estava sozinho muito anos, em Filipenses 4:11-13:

“Não estou dizendo isso porque esteja necessitado, pois aprendi a adaptar-me a toda e qualquer circunstância. Sei o que é passar necessidade e sei o que é ter fartura. Aprendi o segredo de viver contente em toda e qualquer situação, seja bem alimentado, seja com fome, tendo muito, ou passando necessidade.
Tudo posso naquele que me fortalece.”

Queremos concluir esta reflexão encorajando você a encontrar o real significado de sua vida em Cristo, sabendo que o verdadeiro contentamento não se encontra em ter alguém, mas na obra interna que Deus realiza em nosso coração, o contentamento está na comunhão com Cristo e no prazer que encontramos em Sua Pessoa e em sua Palavra. Aproveite este tempo para buscar experiências intimas com Deus e dedique mais tempo servindo a Deus. Não ceda as pressões e nem as tentações, espere em Deus mesmo contra as evidências, mesmo contra o tempo e contra as logicas naturais. Ele não demora, nós que não sabemos esperar.
 

 

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