
1. Idólatras do dinheiro. — Jesus, no Evangelho de hoje, nos ensina que não podemos servir a Deus e ao dinheiro. Na realidade, Jesus nos está ensinando que precisamos nos servir do dinheiro, e não servir ao dinheiro (cf. v. 9). Com efeito, há algo importantíssimo que está acontecendo no mundo moderno. Já faz pelo menos três séculos que o mundo moderno fez do dinheiro a finalidade de sua vida, a causa final, o objetivo de sua existência. O sistema financeiro tem hipnotizado as pessoas, e é exatamente este sistema financeiro que faz tanto os capitalistas como os marxistas lutarem e digladiarem entre si. Porque, afinal de contas, é o dinheiro aquele a quem todos servem: os capitalistas, com a ganância; os marxistas, com a inveja, mas, em todo caso, é sempre ao dinheiro. Se existe, pois, uma época da história em que o dinheiro se tornou deus é, sem dúvida alguma, a nossa época. O dinheiro tomou proporções idolátricas inimagináveis, e se há uma página do Evangelho que “põe o dedo na ferida” do nosso mundo moderno é exatamente esta: “Não podeis servir a dois senhores”. Usando aqui uma linguagem um pouco mais filosófica, um pouco mais objetiva, não se pode ter duas finalidades na vida, ou seja, não se pode ir a dois lugares distintos ao mesmo tempo: ou se vai a um, ou se vai a outro. Ora, a causa final, o sentido de tudo é o para onde se está indo.
2. A quem temos servido? — Qual é o sentido para o qual você envida todos os seus esforços, toda a sua vida, como à sua razão de ser? Para o que é que você vive? Poder-se-ia responder assim: “Padre, essa pergunta é muito difícil. Como vou saber para o que é que eu vivo?” Faça uma exame de consciência. No que é que você pensa o dia inteiro? Ah! você pensa em comprar aquele carro, em comprar aquela casa, em ter segurança econômica, em guardar uma poupança, em subir na carreira para ter mais, com um salário melhor… Veja, se olharmos bem, por trás das várias atividades e pensamentos do homem moderno, no fundo, no fundo, se cavarmos, cavarmos, cavarmos, é bem provável que encontremos ali… o dinheiro como a razão de tudo. E é um deus muito cruel! Sim, o dinheiro é um deus cruel. Por quê? Porque se existe algo que é de natureza transitória e de puro meio, é o dinheiro. Desculpe-me a linguagem filosófica; deixe-me explicar: ninguém pode querer o dinheiro pelo dinheiro. Todo o mundo quer o dinheiro para alguma coisa. Nós, porém, olhamos o dinheiro como se ele fosse a fonte da felicidade, o objetivo! E então, aquilo que é um meio torna-se a finalidade. Que tremendo equívoco! que tremenda ilusão!...

3. Pensar na morte. — Meus queridos, para nos livrarmos desta miséria, meditemos — e meditemos com muita frequência — a respeito da morte. Sim, a morte, sobre a qual não gostamos de pensar; mas é necessário que nós compreendamos como as coisas materiais tornam-se absolutamente irrisórias, desprezíveis, ridículas, quando deparamos com a morte. Diante da morte, de que serve ter dinheiro no banco? Diante da morte, de que servem os bens que você acumulou? Diante da morte, de que serviu trabalhar tanto? “Insensato”, disse Jesus em uma outra parábola, “Nesta noite ainda exigirão de ti a tua alma. E as coisas que ajuntaste de quem serão?” (Lc 12, 20). Esta é a miséria dos que fazem de um meio a finalidade. Mas a razão de ser e a finalidade de nossas vidas é Cristo. Ele é o logos, a razão de ser de nossa existência: por Cristo, com Cristo, em Cristo. Para Ele vivamos e usemos dos bens passageiros deste mundo para servir a Deus, ao verdadeiro Deus, ao verdadeiro Senhor.
“Ninguém pode servir a dois senhores. Com efeito, ou odiará um e amará o outro, ou se apegará ao primeiro e desprezará o segundo. Não podeis servir a Deus e ao Dinheiro. Por isso vos digo: não vos preocupeis com a vossa vida quanto ao que haveis de comer, nem com o vosso corpo quanto ao que haveis de vestir. Não é a vida mais do que o alimento e o corpo mais do que a roupa? Olhai as aves do céu: não semeiam, nem colhem, nem ajuntam em celeiros. E, no entanto, vosso Pai celeste as alimenta” (Mateus 6, 24-26ss).
“É o momento da minha escolha entre um lado e outro.
Dá-me, Maria, a graça de optar bem”.
Josué era jovem e já estava na condução do povo de Deus. Moisés disse a ele: “Foi Deus quem te escolheu, Josué”. Diga comigo: “Foi Deus quem me escolheu. Eu tenho um povo para o qual o Senhor já me escolheu. Não sou um qualquer. É a minha missão”.
Há um sistema que nos leva a servir ao dinheiro, ao poder e ao instinto que existe em nós (devido ao pecado original) de viver a concupiscência dos olhos, a ganância da vida. Existe em nós um desejo de possuir, de mandar, de ter cargos, posições, autoridade, poder. É uma inclinação muito forte que provém do pecado original: o possuir, o poder, o prazer e o parecer, que podemos nominar como os quatro “pês”.
O primeiro é o “possuir”: ter as coisas. Esse possuir nos leva a uma sede insaciável de poder. Desde os grandes até os pequenos poderes da sociedade: comandar nosso cantinho, nosso departamento, nosso serviço, nossa mesa, acreditando que aquilo é nossa posse, nosso território, nosso reino. Essa sede de poder não é apenas daqueles que têm os grandes poderes do mundo.
Podemos viver a concupiscência do “poder”, que é o segundo ”p”, buscando grandes cargos e posições no mundo social e político, nas grandes empresas, mas também no meio onde vivemos, na Igreja, na comunidade. Existem expressões que demonstram isso: “Ninguém põe a mão aqui!”; “Quem foi que tirou isto daqui?”; “Não ensino meu serviço para ninguém”… É o sistema do mundo. Ele nos leva ao desejo de possuir as pequenas e grandes coisas. E por que vivemos apegados a bobagens? Por causa da concupiscência do possuir e do poder que existe em todos nós.
Se não podemos mandar em grandes coisas, mandamos em nosso cantinho, e ninguém pode entrar em nosso território. Esse é o princípio do mundo. O príncipe deste mundo é assim, e ele acabou nos contaminando.
Esses dois pecados nos levam ao terceiro, que é o “prazer”. O tentador nos derruba no prazer da sexualidade. Nesse campo, ele tem liberdade e age muito bem; sabe como tramar. E por que ele age assim? Para optarmos pelo seu sistema.
Mas aquele que é o Senhor nos diz: não podemos estar em dois sistemas. É impossível conjugá-los.
Existe um quarto pecado, o mais tolo, que usamos como válvula de escape: é o “parecer”. Muitas vezes, não conseguimos possuir tudo aquilo que gostaríamos, nem temos o poder e o prazer que nossa concupiscência queria. Então usamos a “muleta” do parecer.
Temos mil estratégias para parecer diante de todos: usamos uma máscara a fim de parecer diante de todo o mundo que possuímos coisas, que temos poder e autoridade, entre outros. É como um rico que já deixou de ser rico há muito tempo, mas ainda ostenta aquela posição; não tem mais nada, só dívidas…
É necessário fazer o que Jesus nos diz: não dá para servir a dois senhores, a dois sistemas. Temos de odiar um deles, e odiar que dizer: não querer saber, de jeito nenhum, do sistema do mundo! Odiar o sistema do mundo para poder, realmente, amar o sistema de Deus e se entregar a ele de coração. Quem procura agradar aos dois acaba sendo vítima.
Até os consagrados, os que vivem na Igreja, os que estão numa comunidade, padres, religiosos, se quiserem agradar ao sistema do mundo não estarão servindo ao Senhor verdadeiro, Jesus Cristo, e sim ao príncipe deste mundo.
Josué atravessou o Rio Jordão miraculosamente e quando chegou, do lado de lá, viu que a terra estava toda habitada, tinha donos, tinha reis. Deus mostrou-lhe que vida de escravidão produz vícios, pecados, erros, dependência.
Foram 400 anos de escravidão do povo hebreu, o qual vivia a idolatria e os costumes dos povos dos quais este era escravo. Tudo aquilo tinha de mudar. Deus tinha de obter deles uma escolha. Então, movido pelo Senhor, Josué é muito franco com eles perguntando-lhes: “Escolhei hoje a quem quereis servir” (Josué 24, 15b).
Hoje, eu também preciso perguntar a você: A quem você quer servir? Qual é a sua escolha, qual a sua opção?
O Senhor está dizendo que tudo precisa mudar, porque você é um escolhido, um eleito.
Josué diz: “Quanto a mim, eu e minha casa serviremos o Senhor” (Josué 24, 15c). Ele estava resolvido. Eu dou o testemunho de minha opção como Josué fez pois, o importante para Deus e para o povo para o qual você é chamado é a sua opção. Responda à pergunta feita do fundo do seu coração.
Graças a Deus, aquele povo respondeu com firmeza: “Longe de nós abandonarmos o Senhor para servir outros deuses” (Josué 24, 16b). Atrás daquelas imagens de ídolos se esconde o demônio. As coisas que os pagãos sacrificam aos ídolos, na verdade, eles sacrificam-nas aos demônios. E São Paulo diz: “Eu não posso permitir que vocês tenham comunhão com o demônio” (cf. 1 Coríntios 10,19-22; Atos 15, 20.29) . Sabe por que isso, meus irmãos? Esses ídolos são produtores de pecados e de vícios. E como Jesus diz: “Vós não podeis servir a dois senhores” (Mateus 6,24a). “Eu sou o único” (Isaías 43,11; Deuteronômio 6. 4ss; Mateus 25, 31ss) afirma o Senhor. Não há “coluna do meio”.
Você diz: “Eu estou na minha”. Mas os ídolos estão “na dele”, estão servindo a outro senhor, que é um produtor em alta escala de pecados na sexualidade, na corrupção, na contestação aos seus pais, na revolta que você traz no coração. Tudo isso é “subproduto” dele e a mídia mostra e aplaude tudo isso. Eles estão fazendo todas essas coisas, não para servir a Deus, mas para servir ao demônio.
“Deus não quer que nós tenhamos comunhão com os demônios”. Se você vive mal seu namoro e seu casamento, se vive o orgulho, a corrupção, hipocrisia, etc., pecado é pecado. E não dá para medi-lo; assim como não brincamos com nódulos, não podemos brincar com o pecado. Nós não podemos manter comunhão com nenhum pecado.
Quando eu era diácono compus uma música, que até está gravada: “Não pergunto para onde me levas. Se Tu queres, eu quero. Se Tu fores, eu vou”.
Talvez você fizesse em total desconhecimento o caminho errado, mas, hoje, você deve fazer a conversão: “Meia-volta, volver!” Esse é o meu rumo e é por ele que eu preciso ir até o fim. Eu e minha casa, minha família e meus colegas serviremos ao Senhor. Eu nem olho para trás. Não servirei ao ‘deus-sexo’, ao ‘deus-corrupção’, porque Jesus Cristo é o meu Deus e meu único Senhor. Só a Ele seguirei. Eis aqui o seu servo, Senhor. Faça-se em mim segundo a sua vontade e a sua Palavra. de ser discípulos. Que coisa terrível! Jesus agüentou o “baque”.
Seu destino é permanecer para sempre com o Senhor. Por isso, você não pode voltar atrás. É com a Eucaristia recebida, dia após dia, e assimilada que você vai receber as feições de Jesus. Quando Ele vier, você vai ser atraído para se encontrar nos ares com o Senhor.
Responda, no seu coração, a quem você quer servir. Responda a Jesus.
Por quem você faz sua opção?
Fonte: https://padrepauloricardo.org/episodios/a-idolatria-do-dinheiro





