Jesus disse que a porta para o céu é estreita e para o inferno é larga? Inferno existe mesmo?


Jesus disse que a porta para o céu é estreita e para o inferno é larga? Inferno existe mesmo? O que Jesus quis dizer ao afirmar que a porta para a vida é estreita e o caminho para a perdição é largo? Por que essa metáfora da “porta estreita” continua tão relevante nos dias de hoje? Será que estamos conscientes das escolhas que fazemos diariamente e do caminho que elas nos colocam? O conceito de inferno é literal, simbólico ou ambos? Se Deus é amor, por que existiria um lugar de condenação eterna? A ideia de salvação é inclusiva ou exclusiva? Quem realmente encontra a “porta estreita”? Estamos vivendo uma fé que nos aproxima da porta estreita ou apenas frequentando espaços religiosos apenas por tradição familiar? O que significa “perdição” no contexto bíblico — é punição, separação de Deus, ou algo mais profundo? “O ensinamento da Igreja afirma a EXISTÊNCIA e a ETERNIDADE do inferno. As almas dos que morrem em estado de PECADO MORTAL descem imediatamente depois da morte aos infernos, onde sofre as penas eternas do inferno, ‘o fogo eterno'” (Catecismo § 1034). Jesus falou tanto do inferno quanto falou do céu. Eis abaixo apenas alguns versículos:

A porta estreita: o caminho exigente para a salvação

É uma palavra dura essa, né? Seguir a Jesus Cristo exige de nós renúncia, porque vivemos neste mundo, mas não pertencemos a ele. Muitas vezes, o nosso coração está apegado àquilo que são as coisas e as realidades que o mundo pode nos oferecer. E isso, meus irmãos, pode nos levar a não optar pela porta estreita. Por quê? Porque nós temos vontade de ter muito dinheiro, de ter muitas casas, entre tantas outras coisas. Isso não é errado. Porém, muitas vezes, o nosso coração está justamente nessas coisas que precisamos renunciar para passar pela porta estreita.

Jesus vai pedir a você, se aceitá-lo como Senhor da sua vida, para passar pela porta estreita e precisará renunciar às facilidades deste mundo. Não poderá viver uma vida cômoda, no bem bom, de sombra e água fresca. Não, meus irmãos, por isso é exigente. Gosto muito dessas pregações d’Ele, porque faz com que reflitamos das vezes em que não estamos de acordo com a vontade de Deus.

Porta Larga x Porta Estreita

Padre Jonas sempre foi assim, enfático, sempre foi entusiasmado e pregava com veemência, com autoridade, pois tinha esse desejo de entrar pela porta estreita. Ele tinha o horizonte na salvação, na mudança de vida, na santidade. E a porta larga, meus irmãos, tira todas as possibilidades de você viver a santidade.

Não tem como vivermos a nossa vida em Deus e querer compactuar com aquilo que é do mundo. Não há possibilidade alguma. Ou você é de Deus ou você não é. O seu sim seja sim, o seu não seja não, o que vem além disso é do maligno. A pregação de Jesus é dura, mas é para nos salvar. A verdade nos liberta e nos leva para a plena realização da vontade de Deus.

Vivendo a radicalidade do Evangelho num mundo paganizado

Meus irmãos, Jesus está falando como é estreita a porta e apertado o caminho que leva à vida. O caminho largo, a porta larga não te leva à vida. Vai levá-lo aos prazeres, vai trazer-lhe satisfação e alegrias momentâneas. Você terá facilidades e até mesmo tudo aquilo que precisa, mas que não o levará à vida eterna.

Por isso estamos vivendo numa sociedade paganizada, mundana e que está entrando na Igreja, pois pregar a radicalidade, a santidade está fora de moda. O Evangelho não saiu de moda. E podem perseguir aqueles que pregam a verdade, porque não vão calar a voz dos profetas, não vão calar a voz daqueles que Deus chamou para fazer a Sua vontade.

E por isso, meus irmãos, que o Evangelho diz assim no final: “E são poucos os que o encontram”. Ou seja, a porta estreita. Por quê? Porque o coração não está mais em Deus.

Que o seu coração volte para Deus, que o meu coração volte para fazer a vontade de Deus. Por isso eu peço ao Senhor uma bênção toda especial para que você viva na vontade de Deus e escolha a porta estreita, porque ela o levará à vida.

Jesus falou tanto do inferno quanto falou do céu. Eis apenas alguns versículos:

“Os filhos do Reino serão lançados fora, nas trevas, onde haverá choro e ranger de dentes” (Mateus 8,12).

“Afastai-vos de mim, malditos! Ide para o fogo eterno, preparado para o diabo e para os seus anjos” (Mateus 25,41).

“Eles serão punidos com a ruína eterna, longe da face do Senhor e da glória do seu poder” (2Tessalonicenses 1,9).

“Pois Deus não poupou os anjos pecadores, mas os precipitou no lugar do castigo e os entregou aos abismos das trevas, onde estão guardados até o juízo” (2Pedro 2,4).

“A fumaça do seu tormento subirá para sempre, e, dia e noite, não terão descanso aqueles que adoram a Fera e sua estátua, e quem quer que leve a marca com o seu nome” (Apocalipse 14,11).

 

Certa vez um amigo que se diz católico me disse: “eu não acredito em inferno.” O senhor pode dar uma resposta a esta afirmação?

A Escritura sagrada claramente atesta a um lugar de condenação eterna chamado inferno ou às vezes referido a como Gehenna. Os exemplos são os seguintes: Jesus disse que o homem que desprezar seu irmão “incorrerá os fogos da Gehenna” (Mt 5,22). Nosso Senhor advertiu, “não temais os que matam o corpo mas não podem matar a alma. Antes, temei quem pode destruir tanto corpo como alma na Gehenna” (Mt 10,28). Jesus disse, “Se tua mão te faz cair, corta-a. Melhor você entrar na vida com uma só mãos que manter ambas as mãos e ir para a Gehenna com seu fogo inextinguível” (Mc 9,43). Usando a parábola do joio e do trigo para descrever o julgamento final, Jesus disse, “os anjos lançarão [os malfeitores] na fornalha inflamável onde prantearão e moerão os seus dentes (Mt 13,42). Semelhantemente, quando Jesus falou do julgamento final onde a ovelha será separada dos lobos, Ele dirá ao mau, “afastai-vos de mim, malditos, para o fogo perpétuo preparado para o demônio e seus anjos (Mt 25,41). Finalmente, no Livro da Revelação, cada pessoa é julgada individualmente e os malfeitores são lançados em uma “fosso de fogo, a segunda morte” (20,13-14).

Apenas para clarificação, Gehenna era um vale ao sul de Jerusalém que era utilizado para sacrifícios pagãos de crianças pelo fogo. O profeta Jeremias amaldiçoou o lugar e predisse que seriam um lugar de morte e corrupção. Na literatura rabínica tardia, o termo identificava o lugar de castigo eterno com torturas e fogo inextinguível para os maus. 

 

 Dessa forma, a Igreja consistentemente ensinou que de fato o inferno existe. Que as almas que morrem num estado de pecado mortal imediatamente vão para o castigo eterno no inferno. O castigo do inferno é principalmente a separação eterna de Deus. Lá se sofre o sentido de perda do amor de Deus, a perda da vida com Deus, e a perda da felicidade. Amor verdadeiro, vida, e felicidade são relacionadas a Deus, e cada pessoa as deseja. Entretanto, só Nele o homem achará sua realização (cf. CCE 1035).

A pessoa condenada também sofre dor. As descrições dadas sobre esse “fogo” pela Constituição Apostólica Benedictus Deus (1336) do Papa Benedito XII disseram que as almas “sofreriam a dor do inferno,” e o Concílio de Florença (1439) decretou que as almas “seriam punidas com castigos diferentes”.

Alguns santos tiveram visões de inferno. Irmã Faustina descreveu o inferno como segue: “Hoje fui dirigida por um Anjo aos abismos do inferno. É um lugar de grande tortura; como terrivelmente grande e extenso é! As espécies de torturas eu vi: A primeira tortura que constitui o inferno é a perda de Deus; a segunda é o remorso perpétuo da consciência; a terceira é que aquela condição nunca mudará; a quarta é o fogo que penetrará na alma sem destruí-la? Um sofrimento terrível, como é um fogo puramente espiritual, aceso pela ira de Deus; a quinta tortura é a escuridão ininterrupta e um terrível e sufocante odor. Apesar da escuridão, os demônios e as almas dos condenados vêem todos os males, os próprios e dos outros; a sexta tortura é a companhia constante de Satanás; a tortura sétima é o desespero horrível, aversão de Deus, palavras vis, maldições e blasfêmias. Estas são as torturas sofridas por todos os condenados, mas isto não é o fim dos sofrimentos. Há torturas especiais dos sentidos. Cada alma sofre sofrimentos indescritíveis, terríveis, relacionados à maneira com que se pecou. Há cavernas e fossas de tortura onde uma forma de agonia difere da outra. Teria morrido na mesma visão destas torturas se a onipotência de Deus não tivesse me apoiado. Escrevo isto no comando de Deus, de modo que nenhuma alma pode achar uma desculpa por dizer não há inferno, nem que ninguém jamais esteve lá e por isso não se pode dizer como ele é“.

 Porta estreita revela a intimidade com Cristo

A porta estreita nos revela o quão importante é ter uma vida de intimidade com Cristo, que compromete o ser, ou seja, a vida na sua totalidade. Em I João 2,4, colhemos o critério que nos prova: aquele que diz ‘eu conheço’, mas não guarda os seus mandamentos, é mentiroso, e a verdade não está nele. Tal dimensão nos encaminha para um exame de consciência intenso, por meio do qual percebemos que sem a prática dos ensinamentos de Jesus  no concreto da vida, nosso preparo revela-se ilusório e fantasioso. Se a consciência, o conhecimento e a fé não se revelam capazes de governar a vida, a existência torna-se mentira e falsidade.

De fato, tudo aquilo que não é construído na verdade sempre cairá por terra um dia, o tempo é o seu maior adversário, pois, este [tempo] sempre vence aquilo que não possui raiz profunda e substancial.

Agora, quem pode nos preparar para a exigência da porta estreita? Constatamos que somente Alguém pode nos formar para tal realidade: Deus, que nos criou! Por esse motivo, a Carta aos Hebreus afirma que não podemos desprezar a educação do Senhor, que nos repreende e corrige em vista da salvação. Contudo, sem o “fazei todo o esforço possível”, acaba-se por não viver o comprometimento e o dinamismo do ser melhor, da mudança, que nos faz vir para fora, inserindo-nos nessa realidade de purificação e preparação.

Nesse Evangelho, Jesus coloca ainda um outro questionamento no versículo 25a e 26: ”Uma vez que o dono da casa se levantar e fechar a porta, vós, do lado de fora, começareis a bater, dizendo: ‘Senhor, abre-nos a porta!’. Ele responderá: ‘Não sei de onde sois"”.

É, sem dúvida, muito triste seguir um caminho e ver as esperanças frustradas, mas isso é justamente o resultado de uma vida feita de “meias medidas”, de “jeitinhos” aqui e lá, enfim, de meras aparências. Precisamos ser responsáveis, reconhecendo que Deus nos conhece inteiramente e que o improviso e a imprudência não são salvíficos. Portanto, não nos enganemos, sigamos um caminho permitindo que o “Dono da Porta” nos ajuste na medida da “porta estreita”, pois, a medida correta está em Deus, não em nós mesmos.

Infelizmente, vivemos em um mundo onde a busca de muitos é pela “porta larga”, ou seja, pelo mais fácil e rápido. Que tipo de pessoas podem surgir de uma formação que busca a facilidade e a falsa proteção? Pessoas desanimadas e excessivamente sensíveis, que tendem à perda de sentido da vida, pelo simples fato de não conseguirem enfrentar as exigências naturais da vida e da fé. Por isso, decida-se por um caminhar no qual a referência seja a Palavra de Deus, que além de nos revelar Jesus, também nos desvela a verdade de nós mesmos.

O que precisamos fazer e deixar Deus fazer em nós? Que o Senhor nos abençoe, prepare-nos e ajuste-nos na medida da “porta estreita”. O tempo da graça, o Kairos de Deus para ser estreitado é hoje!

 

 

 

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