
O cristão é chamado a ser sal e luz no mundo
“Jesus faz esta recomendação para os apóstolos e para nós: ‘Vocês agora são sal da terra’. Os pagãos ao olharem a nossa vida irão se converter e louvar o Pai do céu. São Tiago diz que não dá para o cristão ser de Deus e se comportar como os mundanos se comportam. O cristão é chamado a ser diferente. Aonde o cristão passa, ele exala o odor de Cristo. Nós vivemos em um país onde o nível de alcoolismo é muito grande. Muitas famílias desfalecendo por causa da bebida. Jesus Cristo está dizendo que devemos ser sal e luz no mundo. As pessoas pensam que ser luz é a ir a missa, fazer adoração, mas se isso não leva você a muda os seus atos, não está valendo nada. É preciso dar frutos de santidade! Eu tenho que viver o que Jesus pede que eu viva!”
Vós sois o sal da terra e a luz do mundo
E o açúcar… ficou onde?
Jesus termina o Sermão da Montanha com uma afirmação direta, quase desconcertante:
“Vós sois o sal da terra… vós sois a luz do mundo.” (Mt 5,13-14)
Ele não diz “tentem ser” nem “um dia vocês serão”. Ele afirma algo sobre quem O segue. E isso muda totalmente a forma como entendemos nossa fé. Jesus não está fazendo poesia. Está falando de identidade.
O açúcar nunca foi o plano
Muita gente gosta de brincar dizendo que seria mais fácil se Jesus tivesse dito que somos o açúcar do mundo. Afinal, o açúcar agrada, adoça, conquista rápido. Mas o açúcar não conserva, não purifica, não transforma o interior do alimento.
O sal, sim.
Jesus não veio apenas deixar a vida mais agradável. Ele veio salvá-la.
“Não vos conformeis com este mundo.” (Rm 12,2)
Ser cristão não é adoçar realidades difíceis, mas impedir que elas apodreçam.
O sal e o significado profundo na cultura judaica
Para os judeus do tempo de Jesus, o sal carregava um valor simbólico imenso. Ele estava diretamente ligado à ideia de aliança, fidelidade e permanência.
“Não deixarás faltar o sal da aliança do teu Deus.” (Lv 2,13)
O sal lembrava que Deus não é inconstante, nem suas promessas frágeis. Ao chamar os discípulos de sal da terra, Jesus os coloca como sinais vivos da Aliança de Deus com a humanidade.
Os Padres da Igreja viam nisso um chamado sério: quem carrega a fé, carrega também a responsabilidade de representá-la com fidelidade.
Por que Jesus escolheu justamente o sal?
Porque o sal trabalha em silêncio.
Não chama atenção.
Não aparece, mas faz falta.
Santo Agostinho dizia que o cristão não transforma o mundo pelo barulho, mas pela coerência. O sal não substitui o alimento, mas revela seu verdadeiro sabor. Do mesmo modo, o cristão não ocupa o lugar do mundo, mas ajuda o mundo a encontrar sentido.
“Quem é fiel no pouco, também é fiel no muito.” (Lc 16,10)
Evangelho de São Mateus
“Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: ‘Vós sois o sal da terra. Ora, se o sal se tornar insosso, com que salgaremos? Ele não servirá para mais nada, senão para ser jogado fora e ser pisado pelos homens. Vós sois a luz do mundo. Não pode ficar escondida uma cidade construída sobre um monte. Ninguém acende uma lâmpada e a coloca debaixo de uma vasilha, mas sim num candeeiro, onde ela brilha para todos os que estão em casa. Assim também brilhe a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e louvem o vosso Pai que está nos céus” (Mt 5,13-16).
Veja, meus irmãos e minhas irmãs, o que nós devemos ser no mundo. Jesus utiliza-se de duas imagens: o sal e a luz. O sal porque, na verdade, existe uma realidade aqui comum, tanto ao sal como à luz. É a invisibilidade. Porque, por exemplo, o sal depois que faz a sua função de temperar, de salgar, ele desaparece, e a luz justamente faz funcionar tudo, mas não a vemos.
Essa é uma coisa interessante para a vida de cada cristão: realizar a sua vocação, fazer aquilo para a qual foi destinado mas, ao mesmo tempo, desaparecer para que Cristo apareça, para que a vida de Cristo seja mais evidente.
Preservar e dar sabor: a fé na vida real
Num tempo sem refrigeração, o sal era essencial para impedir a decomposição dos alimentos. Isso dá uma imagem forte para a vida espiritual.
Onde o cristão está, o mal não deveria se sentir confortável.
Não porque somos melhores, mas porque a presença do Evangelho incomoda aquilo que apodrece.
São João Crisóstomo dizia que a fé vivida de verdade é um antídoto contra a corrupção do coração humano.
“A criação inteira geme.” (Rm 8,22)
Ser sal é aceitar essa missão silenciosa de preservar o que ainda pode ser salvo.
Influenciar o mundo sem impor nada
Jesus não manda dominar, gritar ou vencer discussões.
Ele manda iluminar e salgar.
O Catecismo nos lembra que a missão do cristão acontece dentro do mundo, não fora dele:
“Os leigos são chamados por Deus a contribuírem para a santificação do mundo.” (CIC 898)
Ser sal é influenciar pelo testemunho, não pela força. É viver de tal forma que as pessoas percebam que existe algo diferente — mesmo sem saber explicar o quê.
O cristão deve fazer funcionar como a luz (a energia) a engrenagem da vida neste mundo
A fé é significativa quando toca o ser humano, assim como o sal. Por isso, o sal — como transforma o sabor dos alimentos — a fé também precisa transformar o ser humano, precisa transformar o coração do homem, dar sabor à sua vida, dar sentido. E a experiência com Cristo precisa dar sentido aos nossos dias, à nossa vida; o cristão precisa transformar tudo aquilo que está à sua volta, ele deve fazer funcionar como a luz (a energia) a engrenagem da vida neste mundo e depois desaparecer. Porque é Cristo quem tem que aparecer, é a vida de Cristo que precisa ficar evidente.
Papa Bento XVI, em um dos seus ensinamentos, lembrava-nos que o cristianismo cresce por atração e não por proselitismo — proselitismo é como se fosse uma propaganda ou marketing. O cristianismo cresce por atração, ou seja, quando as pessoas veem em mim e em você as ações de Cristo, os sentimentos de Cristo, um comportamento de Cristo, a vida de Cristo. Por isso, o cristianismo cresce porque aquela pessoa vê aquela atitude, vê Cristo naquela pessoa e começa também a ter o desejo de viver aquela experiência.
Somos destinados a ser sal da terra e luz do mundo, viver a nossa vocação profundamente, tocar as realidades do mundo, transformar as realidades do mundo, fazer com que as realidades do mundo funcionem, segundo o projeto de Deus, e, depois, desaparecer para que Cristo apareça e seja glorificado.
Jesus é sempre muito pedagógico em Seus ensinamentos. E, hoje, Ele utiliza destes dois elementos: sal e luz; para ensinar como deve ser o agir dos Seus discípulos neste mundo.
Os discípulos de Jesus precisam ser como o sal. O sal, como nós sabemos, além de dar sabor aos alimentos, ele também pode ser usado como um conservante. O sal preserva os alimentos da corrupção, preserva-os de se estragarem.
Ser sal de Cristo, neste mundo, é viver sendo exemplo de santidade, é ser testemunha concreta de vida santa, em meio ao mundo de muitas corrupções. Ser sal é ensinar a doutrina de Cristo com a própria vida. Porque não basta ensinar a doutrina de Cristo somente com as palavras, é preciso, acima de tudo, edificar o mundo com o sal do exemplo.
O que converteu os primeiros cristãos não foi a novidade de uma doutrina, mas foi a vida daqueles que souberam colocar em prática essa novidade! Primeiro, eles experimentaram o sal, a vida nova de santidade e de caridade; tiveram as suas vidas temperadas com esse sal, com esse novo sabor. Foram conquistados pelo sabor da alegria, da paz e, a partir daí, se abriram à luz da doutrina, conhecendo os mistérios da graça que impulsionam a vida cristã.
Ser sal é ensinar a doutrina de Cristo com a própria vida
A doutrina cristã não é apenas uma ideia, teorias, mas, antes de tudo, ela é vida e deve ser vivida. Porque se a doutrina cristã for apenas uma ideia, apenas uma teoria, ela vai ser como esse sal que perde o seu sabor e que se torna insosso. E se o sal se tornar insosso, não servirá de mais nada, a não ser para ser jogado fora e pisado pelos homens.
A doutrina cristã não pode ser vista como algo impraticável, uma moral muito longe de ser alcançada, mas a doutrina cristã precisa ser vista e compreendida por meio de nossa vida, como algo possível e alcançável. Só assim o sal terá sua função de dar sabor e preservar!
A santidade de vida de muitos homens e mulheres, o exemplo dos santos, é esse sal que tem preservado este nosso mundo de ser totalmente corrompido, de se perder totalmente. O sal preserva.
A vida santa é esse tempero que, às vezes, parece ser pouco, diante de uma realidade tão grande do nosso mundo — e, às vezes, é até imperceptível. Mas, mesmo sendo pouco, é capaz de dar sabor e preservar gerações inteiras da corrupção do pecado.
Jesus disse que o cristão deve ser o “sal da terra” e a “luz do mundo” (cf. Mt 5,13.14). O mundo vive nas trevas do pecado, por isso Jesus veio para eliminar essa escuridão e nos devolver a luz divina. Ele é o “Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo” (João 1, 29). Jesus veio para “arrancar o pecado do mundo”, através do qual Satanás domina o homem, o acorrenta, o destrói e o lança nas trevas; pois, “o salário do pecado é a morte” (Rom 6,23).
Disse o profeta: “O povo que andava nas trevas viu uma grande luz” (Is 9,1). Dois reinos se digladiam, o da luz e o das trevas. São Paulo pergunta: “Que comunhão pode haver entre a luz e as trevas? Que acordo entre Cristo e Belial?” (2 Cor 6,14-15). O Apóstolo lembra-nos ainda que: “Ele nos arrancou do poder das trevas e nos transportou para o Reino do seu Filho amado, no qual temos a redenção, a remissão dos pecados” (Cl 1,12-13).
Leia também: O cristão é um outro Cristo
Todos os cristãos são chamados a viver a santidade
Qual o segredo da alegria do cristão?
Assim como a Lua reflete sobre a Terra a luz do Sol, o cristão é aquele que sobre a humanidade reflete a luz de Cristo; sem medo das trevas, obedecendo o Senhor, mostrando a Sua Verdade que liberta, sem medo e sem diminui-la ou enfraquece-la, para agradar as pessoas. “Não se pode esconder uma cidade situada sobre o monte” (Mt 5,14). São Paulo disse que os cristãos são os “filhos de Deus, sem defeito, no meio de uma geração má e perversa, no seio da qual brilhais como astros no mundo, mensageiros da Palavra da vida” (Fl 2, 14-15).
São João Paulo II disse na Encíclica “Redemptor Hominis” que: “Sem Jesus Cristo, o homem permanece para si mesmo um desconhecido, um mistério insondável, um enigma indecifrável”.
Assim como o sal conserva o alimento, o cristão dever guardar a Verdade e o Bem. O Papa Francisco disse em Sarajevo que: “o religioso mundano não serve”. Todo cristão é um religioso, e se é dominado pelo mundo, se perde. O cristão pode ser tentado a adaptar-se ao “gosto da maioria”, como se a Verdade e o Bem dependessem de plebiscito. “Se o sal perder o seu sabor, com que o salgarão? Servirá apenas para ser jogado fora e pisado” (Mt 5, 13).
O papel do cristão é único, insubstituível. Se o cristão falha na sua fidelidade à mensagem do Evangelho, deixa uma lacuna que ninguém poderá preencher. Ele é chamado a renovar a sociedade, comunicando-lhe os valores de Deus. A presença de um cristão fiel e santo estimula os irmãos a se converterem. Pode até implicar zombaria e escárnio para o irmão ou a irmã fiel, mas é tarefa valiosa. Bento XVI disse que hoje devemos estar preparados para enfrentar o “martírio da ridicularização”. Mais do que nunca, nos tempos atuais, em que tanto se fala de corrupção e imoralidade, é hora dos cristãos sanearem o mundo com a luz de Cristo.
Quando o sal perde o sabor
Aqui Jesus faz um alerta duro, sem rodeios:
“Se o sal se tornar insosso, para nada mais serve.” (Mt 5,13)
O sal da Palestina podia perder sua eficácia quando misturado com impurezas. Espiritualmente, isso acontece quando a fé se mistura demais com o comodismo, o relativismo ou a incoerência.
São João Crisóstomo dizia que o cristão que vive como se Cristo não existisse perde sua razão de ser.
Forte? Sim. Mas também um convite à conversão.
Ser sal no cotidiano, onde a vida acontece
Na família, ser sal é escolher o perdão em vez do ressentimento.
É educar mais pelo exemplo do que pelas palavras.
“Eu e minha casa serviremos ao Senhor.” (Js 24,15)
No trabalho, ser sal é agir com honestidade quando ninguém está olhando. É fazer bem feito mesmo quando isso não traz aplausos.
“Tudo o que fizerdes, fazei-o para o Senhor.” (Cl 3,23)
Na sociedade, ser sal é defender a verdade sem ódio, promover a justiça sem perder a caridade e testemunhar a fé sem vergonha de ser diferente.
O Catecismo lembra que o cristão é chamado a ser fermento no meio da massa (cf. CIC 854). E fermento, assim como o sal, age de dentro para fora.
O mundo precisa de sal e luz, não apenas de coisas doces
Jesus nunca prometeu que seria fácil.
Mas confiou aos seus discípulos algo imenso.
Ser sal é aceitar não ser sempre aplaudido,
não ser sempre compreendido,
mas ser fiel.
“Assim brilhe a vossa luz diante dos homens.” (Mt 5,16)
Sejamos, meus irmãos, sal e luz de Cristo, assim como Jesus nos ensina. Sejamos testemunho de uma vida santa, que dá sabor e que preserva e ilumina a vida de tantos.
Se em algum momento sentimos que nossa fé perdeu o sabor, a boa notícia é simples e consoladora: Cristo sabe restaurar.
O mesmo Jesus que disse “vós sois o sal da terra” é Aquele que também cura, renova e recomeça conosco.
Sempre.





