Quando dizer a Verdade?


A verdade sempre deve ser dita, ou há momentos em que o silêncio é mais sábio? O que nos leva a esconder a verdade: medo, proteção ou conveniência? Existe uma diferença entre ser honesto e ser cruelmente sincero? Até que ponto a verdade é uma obrigação moral — e quando ela se torna uma escolha ética? É possível ser verdadeiro sem ser transparente? O que é mais importante: a intenção por trás da verdade ou o impacto que ela causa?

 

 Se não te ouvir, leva ainda contigo um ou dois, para que pela boca de duas ou três testemunhas toda a palavra seja confirmada. E, se não as escutar, dize-o à igreja; e, se também não escutar a igreja, considera-o como um pagão. (Mateus 18,16-17)

"E conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará." (João 8, 32)

"Ama a Verdade, mostra-te como és, sem fingimento, sem receios... Se a Verdade te custa a perseguição, aceita-a, se te custa o tormento, suporta-o. E se, pela verdade, tiveres que sarificar-te a ti mesmo e a tua vida, sê forte no sacríficio" (São José Moscati)

Nada pode mudar a verdade, só se pode buscá-la, reconhecê-la e segui-la. (São Maximiliano Kolbe)

"Devemos Amar a Verdade, que é o Fundamento Irremovível da nossa Fé" (São Padre Pio)

Não se opor ao erro é aprová-lo, e não defender a verdade é suprimi-la; e a nossa negligência em defender a verdade, quando podemos fazê-lo, é tão pecado quanto incentivar o erro. " (Papa São Félix III)

Os inimigos declarados de Deus e da Igreja devem ser difamados tanto quanto se possa, desde que não se falte à verdade, sendo obra de caridade gritar "Eis o Lobo" quando está entre o rebanho ou em qualquer lugar onde seja encontrado (São Francisco de Sales)

A verdade deve ser dita com Amor, mas o amor NUNCA pode impedir a verdade de ser dita (Santo Agostinho de Hipona)

O Verdadeiro Amor está baseado na verdade, quando se tira a verdade, isso não é amor, é Sentimentalismo (Papa Bento XVI)

Não existe santidade sem Amor. E não pode existir Amor sem a verdade. Ora, assim como só se pode dar a saúde combatendo a doença, também só se pode defender e ensinar a verdade, condenando o erro oposto a ela. (Papa Bento XVI)

“Só na verdade é que o amor refulge e pode ser autenticamente vivida. A verdade é luz que dá sentido e valor ao amor. Esta luz é simultaneamente a luz da razão e a da fé, através das quais a inteligência chega à verdade natural e sobrenatural do amor: identifica o seu significado de doação, acolhimento e comunhão. Sem verdade, o amor cai no sentimentalismo. O amor torna-se um invólucro vazio, que se pode encher arbitrariamente. É o risco fatal do amor numa cultura sem verdade; acaba prisioneiro das emoções e opiniões contingentes dos indivíduos, uma palavra abusada e adulterada chegando a significar o oposto do que é realmente. A verdade liberta o amor dos estrangulamentos do emotivismo, que a despoja de conteúdos relacionais e sociais, e do fideísmo, que a priva de amplitude humana e universal. Na verdade, o amor reflete a dimensão simultaneamente pessoal e pública da fé no Deus bíblico, que é conjuntamente «Agápe» e «Lógos»: Caridade e Verdade, Amor e Palavra” (Bento XVI, Caritas in veritate, n0 3).

Santo Agostinho: "Amai muito a inteligência e a compreensão da verdade. Pois é necessário bem compreender pra crer verdadeiramente". (Por melhor que seja a sua intenção, se você comprar uma jóia falsa, você estará no prejuízo. E em se tratando da salvação, já pensou que prejuízo!!!)

Santo Agostinho afirma que era necessário que Jesus dissesse: “Eu sou o caminho, a verdade e a vida” (Jo. 14, 6), porque, quando se conhece o caminho, só falta conhecer a meta (Tratactus in Ioh., 69, 2: CCL 36, 500), e a meta é o Pai. Portanto, para os cristãos, para cada um de nós, o Caminho para o Pai é deixar-nos guiar por Jesus, pela sua palavra de Verdade, e acolher o dom da sua Vida.

Inúmeras vezes nós somos obrigados a chamar uma pessoa e dizer a verdade a ela, apontar seus erros para que ela não os cometa mais.

No entanto, isto muitas vezes magoa ou reprime aqueles que estamos corrigindo e por isto nos questionamos: ‘será que eu devo mesmo falar para esta pessoa que ela esta errada? E se ela não aceitar a verdade?’.

Diversas vezes, porque amamos muito uma pessoa, omitimos a verdade para que ela não fique magoada com uma correção que deveríamos fazer.

Será que esta atitude é correta? Estamos amando de fato?

Podemos observar na bíblia duas características de Deus, que é a Verdade (Jo 14,6), e o amor (1Jo 4,8). Se Deus é a verdade, mas também é o amor, significa que estas duas virtudes estão intimamente ligadas.

Portanto eu nunca posso dizer a verdade sem amor, sem caridade, mas também nunca posso sacrificar a verdade em nome do amor, da caridade. Este é o equilíbrio que deve reger a nossa vida!

Na hora de exortarmos alguém, nunca devemos faze-lo carregado de emoções, raiva, rancor, pois facilmente ultrapassamos o limite entre o que é justo, e caímos na vingança, no exagero. No entanto se preferimos ficar quietos perante a situação, estamos sendo cúmplice desta, e impedimos que esta pessoa cresça.

 

 

A solução é aprender a corrigir da forma certa, conforme a sensibilidade de cada um.

Santo Agostinho afirma que era necessário que Jesus dissesse: “Eu sou o caminho, a verdade e a vida” (Jo. 14, 6), porque, quando se conhece o caminho, só falta conhecer a meta (Tratactus in Ioh., 69, 2: CCL 36, 500), e a meta é o Pai. Portanto, para os cristãos, para cada um de nós, o Caminho para o Pai é deixar-nos guiar por Jesus, pela sua palavra de Verdade, e acolher o dom da sua Vida.

Façamos nosso o convite de são Boaventura: “Abre, portanto, os olhos, põe à escuta o ouvido espiritual, abre os teus lábios e dispõe o teu coração, para que tu possas em todas as criaturas ver, ouvir, louvar, amar, venerar, glorificar, honrar o teu Deus (Itinerarium mentis in Deum, 1, 15). É, portanto, que, neste início, começamos pelo fim. Medite o que você leu e depois continue o texto. 

“Sermos verdadeiros exige viver, sem mentiras! Exige humildade diante de Deus! Sem melindre!” | Foto ilustrativa: Pichardo MSP

Estamos num século marcados pela banalização do sexo, do borbulhar das ideologias, do relativismo, dos frutos de falsas filosofias, dos frutos da Escola de Frankfurt, da reação em cadeia do abandono de Deus e de seu devido valor em nossas vidas e na sociedade, este é o século da fragilidade emocional, da anemia espiritual, da tibieza etc. Nos séculos passados e nos tempos atuais, existem pessoas melhores do que eu, os verdadeiros teólogos que explicariam este tema com muita profundidade. Mas, se coube a mim, então, abaixo exporei verdades que nos conduzem à Verdade. 

Antes de perder a cabeça pela Verdade, como aconteceu com São João Batista, é necessário conhecê-la. Ninguém ama sem conhecer. Ninguém poderia dizer bem de alguém sem antes experiênciar ou pelo menos ouvir dizer. Por isso, com grande acerto, ponderou São Tomás de Aquino: “O elemento principal da vida contemplativa é a contemplação da verdade divina, posto que este é o fim da vida humana”(SÃO TOMÁS DE AQUINO. Suma Teológica. II-II, q.180, a.4). Em consequência, a vida contemplativa deve consistir em amar a Deus, já que a caridade faz arder nosso coração no desejo de ver a face do Criador (Cf. Idem, a.1.).

É neste impulso de amar e de contemplar que muitos foram às missões com alto risco de morte. Aqui existem muitos santos que deram a vida, que se desdobraram, que perderam, literalmente, membros do corpo. É pela Verdade que defendiam. Pelo amor a esta Verdade. O “V” maiúsculo entenda, é por amor a Cristo que não se desesperam diante de reis, imperadores, carrascos, grades de ferro, tempestades, açoites, flechadas, diante do fogo, do afogamento, de masmorras, de leões no grande circo de Roma (Coliseu)…

 

 

Estamos falando do que alimentava os mártires. É este amor profundo que eles contemplaram e que fez com que, durante os anos que lhes restavam, o mandato fosse cumprido: “Ide por todo o mundo e pregai o Evangelho a toda a criatura” (Mc 16, 15). O compromisso de anunciar Jesus Cristo, “o caminho, a verdade e a vida” (Jo 14, 6), é a tarefa principal da Igreja. Bento XVI, em 22 de maio de 2011, na praça de São Pedro, aponta para a fonte principal do anúncio:

O Novo Testamento pôs fim à invisibilidade do Pai. Deus mostrou o seu rosto, como confirma a resposta de Jesus ao apóstolo Filipe: “Quem viu a Mim, viu o Pai” (Jo 14, 9). O Filho de Deus, com a sua encarnação, morte e ressurreição, libertou-nos da escravidão do pecado para nos doar a liberdade dos filhos de Deus e fez-nos conhecer o rosto de Deus que é amor: Deus pode ser visto, é visível em Cristo. Santa Teresa de Ávila escreve que “não devemos afastar-nos do que constitui todo o nosso bem e o nosso remédio, ou seja, da santíssima humanidade de nosso Senhor Jesus Cristo” (Castello interiore, 7, 6: Opere complete, Milão 1998, 1001). Por conseguinte, só crendo em Cristo, só permanecendo unidos a Ele, os discípulos, entre os quais estamos nós também, podem continuar a sua acção permanente na história: “Em verdade, em verdade vos digo — diz o Senhor —: aquele que acredita em Mim fará também as obras que Eu faço” (Jo 14, 12).

O PREÇO DO ANÚNCIO: SER DA VERDADE TEM CONSEQUÊNCIAS

 Naquele tempo, Herodes tinha mandado prender João, e colocá-lo acorrentado na prisão. Fez isso por causa de Herodíades, mulher de seu irmão Filipe, com quem se tinha casado. João dizia a Herodes: “Não te é permitido ficar com a mulher do teu irmão”. Por isso Herodíades o odiava e queria matá-lo, mas não podia. Com efeito, Herodes tinha medo de João, pois sabia que ele era justo e santo, e por isso o protegia. Gostava de ouvi-lo, embora ficasse embaraçado quando o escutava (Mc. 6,17-29).

Diante da verdade, existe uma escolha a ser feita: ou se aceita ou não. A verdade nos tira do escuro, nos ilumina! Uma vez que você escolher viver a verdade, ela te convenceu a vivê-la. Jesus disse: “Eu sou a Verdade” (Jo. 14,6). O Antigo Testamento atesta: Deus é fonte de toda verdade (Pr. 8,7; 2Rs. 7,28). Sua Palavra é a verdade. Deus é “veraz” (Rm. 3,4). Em Jesus Cristo, a verdade de Deus se manifestou plenamente. “Cheio de graça e verdade” (Jo. 1,14). São Paulo disse a S. Timóteo disse que “Deus quer que todos os homens sejam salvos e cheguem ao conhecimento da verdade” (1Tm 2,4). Deus quer a salvação de todos pelo conhecimento da verdade. O nosso Catecismo afirma com todas as letras: “A salvação está na verdade” (Catecismo § 851).

Contudo, nós podemos ser como Herodes. Sermos fascinados por escutar a Verdade, assim como ele ficava fascinado quando ouvia São João Batista; ainda sim não quer pagar o preço de viver a verdade! Ele estava preocupado com a estética e não com a ética! Estava sim preocupado em agradar as pessoas e a não ficar com uma má imagem. De forma que, sob o efeito do álcool e da sedução de Salomé, ele promete metade do Reino. Louco! Quantos hoje estão sob o efeito do álcool, das ideologias, do fascínio por pessoas… Tão cegos! E guiam outros cegos e ambos cairão no mesmo buraco da mentira! A verdade só liberta se ela for vivida! Do contrário, seremos hipócritas! Esta é uma grande conversão que temos que passar. Sermos verdadeiros exige viver, sem mentiras! Exige humildade diante de Deus!  Sem melindre! 

A partir deste ponto, poderíamos dissecar a verdade com argumentos filosóficos e teológicos… Até demonstramos as consequências das guinadas antropológicas, a transmissão de uma ideologia (vestido de ideias), o que são as heresias e ideologias? Poderíamos abrir inúmeras janelas a partir destes pequenos parágrafos, de fato, o assunto é extenso. Mas nos deteremos no anúncio. Agora que você já compreendeu que a verdade é para ser vivida, então, como proceder?

 

 

A VERDADE NÃO PRECISA SER IMPOSTA. IMPÕE-SE SOZINHA.

No site do Padre Paulo, eu li um texto uma vez e quero trazer, para nos ajudar a compreender a questão do anúncio. Acompanhe abaixo: “A batalha pela verdade – Tradução: Equipe Christo Nihil Præponere – 4.Nov.2022”. 

Não é um tema simples. Em tempos obscuros como os que vivemos, onde é difícil distinguir contornos, onde tudo é confuso e as referências se tornam opacas atrás de névoas cada vez mais densas, às vezes, nos perguntamos como defender e pregar a verdade, dever a que somos chamados porque assim o exigiu o Senhor em seu Evangelho.

Vale a pena, por exemplo, meter-se em discussões com inimigos da verdade através de meios de comunicação ou de redes sociais? Creio que são questões prudenciais, e cada qual saberá o que convém fazer em cada caso concreto.

E porque se trata de questões prudenciais, parece-me que já não funcionam as receitas vintage que consistiam em instigar todo o mundo a se envolver na “batalha pela verdade”, entendendo-se por tal fazer o maior alvoroço possível. É a ideia, por exemplo, de que a verdade é por natureza combativa e que, necessariamente, está em contínua contenda contra o erro.

Há uma brevíssima carta que Dionísio Areopagita — o tão venerado e citado mestre de Santo Tomás —, escreve ao sacerdote Sópatro, na qual lhe puxa a orelha porque, aparentemente, o padreco não parava de polemizar com os pagãos, na tentativa de mostrar-lhes o erro em que estavam e a verdade da fé cristã. Dionísio é claro: [Sópatro] deve abandonar esse costume de impor-se aos outros em nome da verdade.

Quer dizer que o Areopagita era um “progressista” e pensava que a caridade vem primeiro e que é melhor não brigar, por amor à paz? Não é esse o seu argumento. O que ele explica é que a disputa não implica necessariamente que o outro possa encontrar a verdade, quer dizer, enquanto gastamos energia para mostrar ao outro seu erro, a perdemos para fazer o que devemos por natureza: mostrar a verdade, e não o erro. E muitas vezes não se conseguirá senão o efeito contrário, pois a refutação do erro do outro pode provocar nele uma atitude refratária à verdade, considerada uma imposição externa, e não o resultado de um encontro pessoal.

E Dionísio vai ainda mais longe: “Se algo não é vermelho”, ele diz, “tampouco é necessariamente branco, e se algo não é cavalo, tampouco é forçosamente homem”, quer dizer, mesmo que eu seja capaz de mostrar o erro do outro, isso não significa que eu esteja na verdade, que é justamente o que importa. Na opinião de Dionísio, a coisa não funciona assim.

A conclusão do Areopagita é que aquilo a que está chamado o cristão não é impor a verdade através da disputa, mas ser reflexo da Verdade, “fazê-la brilhar” para os demais, transmitindo-lhes essa luz que ele mesmo recebeu. Diria até que é uma atitude passiva, como a do Sol e da Lua, que se limitam a estar aí e iluminar. Não se transmite a verdade mostrando-se o erro, mas deixando-a iluminar.

A verdade não precisa ser imposta. Impõe-se sozinha. Em todo o caso, precisa de homens que a reflitam.

 

 

Epístola VI
A Sópatro, sacerdote

Não penses ser uma vitória, venerável Sópatro (cf. At 20,4; Sosípatro, em Rm 16,21), o afrontares uma religião ou doutrina que te não pareça boa (cf. Tt 3,9); de fato, mesmo que sabiamente a critiques, nem por isso estão as coisas a favor de Sópatro [i]. Com efeito, tanto a ti quanto a outros, entre muitos erros e aparências, pode ocultar-se algo de verdadeiro [ii]. Ora, que uma coisa não seja vermelha, nem por isso já é branca, e que algo não seja cavalo, tampouco é necessariamente homem.

Assim pois hás de agir, se me deres ouvidos: deixarás de falar contra os outros, mas dirás de tal modo a verdade, que será irreprochável quanto disseres (cf. Lc 21,14s) [iii].

Para o texto grego, G. Heil–A. M Ritter, Corpus Dionysiacum, II 164 (Berlim, De Gruyter, 2012), em “Patristische Texte und Studien” (1963ss), vol. 67, disponível aqui. — Para o texto latino, MG 3, 1078AB. Cf. B. Cordier, SJ, Sancti Dionysii Areopagitæ opera omnia quæ extant, 274s (Bréscia, 1854), reimpressão, do mesmo autor, de Opera S. Dionysii Areopagitæ cum schollis S. Maximi et paraphrasi Pachymeræe, II 85b (Antuérpia, 1634, 2 vols.), citado nas notas abaixo. — Há tradução para o espanhol, elegante mas nem sempre literal, de Teodoro H. Martín (Madrid, BAC, 2007), 259.

 

Fonte: https://formacao.cancaonova.com/diversos/quando-dizer-a-verdade/

 

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