
O que é pior: Perder mais uma Copa do Mundo ou Perder o Céu eternamente?
Quando o futebol mexe com a alma, mas a eternidade decide o destino
Poucas coisas unem tanto os brasileiros quanto a paixão pelo futebol. Basta uma Copa do Mundo para o país inteiro mudar de humor. Há quem chore por uma eliminação, quem passe dias lamentando uma derrota e quem carregue por anos a lembrança de um gol perdido. O futebol desperta emoções legítimas, cria memórias e faz parte da cultura de muitos povos.
Mas existe uma pergunta que todo cristão deveria fazer a si mesmo: se sofrer tanto por uma Copa perdida parece normal, por que tão poucas pessoas se preocupam em perder aquilo que nunca mais poderá ser recuperado: o Céu?
Nosso Senhor Jesus Cristo nunca falou do inferno para assustar as pessoas, mas para salvá-las. Ele falou do fogo eterno, do juízo, da condenação e da necessidade da conversão muito mais vezes do que muitos imaginam. Ignorar essas palavras não as torna menos verdadeiras.
A questão não é se o inferno existe. A questão é se estamos vivendo de maneira que nunca o experimentemos.
Jesus falou claramente sobre o inferno
Existe uma falsa imagem moderna de Jesus como alguém que jamais falaria sobre castigo eterno. Entretanto, basta abrir os Evangelhos para perceber exatamente o contrário.
Em Mateus 25,41, durante a descrição do Juízo Final, Cristo declara:
"Então dirá também aos que estiverem à sua esquerda: "Apartai-vos de mim, malditos, para o fogo eterno, preparado para o diabo e seus anjos.""
Fonte: Mateus 25,41.
No texto grego encontramos:
Πορεύεσθε ἀπ’ ἐμοῦ, κατηραμένοι, εἰς τὸ πῦρ τὸ αἰώνιον
Algumas palavras merecem atenção.
κατηραμένοι (katēraménoi)
Significa literalmente "amaldiçoados".
Não é apenas alguém infeliz, mas alguém que permanece separado da bênção de Deus.
πῦρ τὸ αἰώνιον (pyr to aiōnion)
Literalmente:
"o fogo eterno."
A palavra αἰώνιος (aiōnios) é exatamente a mesma utilizada poucos versículos depois para falar da vida eterna.
Mateus 25,46 afirma:
"E irão estes para o castigo eterno, enquanto os justos irão para a vida eterna."
No grego:
κόλασιν αἰώνιον
ζωὴν αἰώνιον
A mesma palavra αἰώνιος aparece nos dois casos.
Se alguém disser que o castigo não é eterno, precisará admitir também que a vida eterna não o é.
A Igreja sempre rejeitou essa interpretação.
"Nunca vos conheci"
Outra das passagens mais fortes está em Mateus 7,23.
Jesus afirma:
"Nunca vos conheci. Afastai-vos de mim, vós que praticais a iniquidade."
No grego:
Οὐδέποτε ἔγνων ὑμᾶς· ἀποχωρεῖτε ἀπ’ ἐμοῦ οἱ ἐργαζόμενοι τὴν ἀνομίαν.
A palavra ἀνομία (anomía) significa literalmente:
"ausência da Lei."
Não se trata apenas de cometer erros.
É viver rejeitando a Lei de Deus, fazendo da própria vontade a regra da própria vida.
Essa passagem mostra algo impressionante.
Os condenados chamam Jesus de Senhor.
Profetizaram.
Expulsaram demônios.
Fizeram milagres.
Mesmo assim foram rejeitados.
Isso desmonta completamente a ideia de que basta dizer "eu acredito em Jesus".
A verdadeira fé transforma a vida.
O maior fracasso da existência humana
Perder uma Copa machuca.
Perder uma fortuna dói.
Perder um emprego pode abalar profundamente.
Mas nenhuma dessas perdas dura para sempre.
Todas pertencem ao tempo.
A condenação eterna pertence à eternidade.
É exatamente por isso que Jesus pergunta:
"Que aproveita ao homem ganhar o mundo inteiro se vier a perder a sua alma?"
Mateus 16,26
No grego:
ζημιωθῆναι τὴν ψυχὴν αὐτοῦ
Literalmente:
"sofrer perda da própria alma."
Cristo estabelece uma comparação impossível de superar.
Ganhar o mundo inteiro ainda seria um péssimo negócio se, em troca disso, alguém perdesse a alma.
O Catecismo confirma esse ensinamento
O Catecismo da Igreja Católica afirma:
"Morrer em pecado mortal sem estar arrependido e sem acolher o amor misericordioso de Deus significa permanecer separado dele para sempre por nossa livre escolha. Este estado de autoexclusão definitiva da comunhão com Deus chama-se inferno."
Catecismo da Igreja Católica, §1033.
Ainda ensina:
"A pena principal do inferno consiste na separação eterna de Deus."
Catecismo da Igreja Católica, §1035.
Perceba que a Igreja não apresenta o inferno como uma vingança divina.
É a consequência definitiva da rejeição livre e persistente de Deus.
Os Padres da Igreja já ensinavam isso desde os primeiros séculos
Santo Inácio de Antioquia escreveu:
"Os que corrompem a fé de Deus irão para o fogo inextinguível."
Santo Inácio de Antioquia, Carta aos Efésios, cap. 16.
Santo Irineu de Lião afirma:
"Aqueles que rejeitam voluntariamente Deus privam-se da vida eterna."
Santo Irineu, Contra as Heresias, Livro IV, cap. 39.
São João Crisóstomo escreveu:
"Nada é mais terrível do que ser rejeitado por Cristo."
São João Crisóstomo, Homilia sobre Mateus 7.
Perceba como todos os primeiros cristãos interpretavam literalmente as palavras de Jesus.
Não existe nos primeiros séculos qualquer ideia de que o inferno fosse apenas uma metáfora.
Santo Agostinho explica a gravidade do pecado
Santo Agostinho escreve:
"Duas cidades foram construídas por dois amores: a cidade terrena pelo amor de si até o desprezo de Deus; a cidade celeste pelo amor de Deus até o desprezo de si."
Santo Agostinho, A Cidade de Deus, Livro XIV, cap. 28.
Toda a história da humanidade pode ser resumida nessa escolha.
Amar mais a Deus.
Ou amar mais a si mesmo.
São Tomás de Aquino explica por que a condenação é eterna
São Tomás escreve:
"A pena dos condenados é eterna porque a vontade deles permanece fixada contra Deus."
São Tomás de Aquino, Suma Teológica, Suplemento, Questão 99, Artigo 1.
O Doutor Angélico mostra que, após a morte, não existe mais mudança de escolha.
A decisão torna-se definitiva.
Santa Teresa de Jesus teve uma profunda reflexão sobre o inferno
Ela escreveu:
"Jamais esquecerei aquele lugar. Nem todas as penas desta vida podem comparar-se com um só momento das penas do inferno."
Santa Teresa de Ávila, Livro da Vida, cap. 32.
Seu relato não buscava espalhar medo.
Buscava despertar conversão.
Santo Afonso Maria de Ligório fazia uma pergunta inquietante
Ele escreveu:
"Que loucura trocar uma eternidade feliz por alguns instantes de prazer."
Santo Afonso Maria de Ligório, Preparação para a Morte.
Essa frase resume perfeitamente o drama humano.
Quantos vendem a eternidade por alguns minutos de pecado.
O pecado nunca é um detalhe
Hoje muitos acreditam que pecado é apenas uma palavra antiga.
Mas São Paulo escreve:
"O salário do pecado é a morte."
Romanos 6,23.
No grego:
τὰ γὰρ ὀψώνια τῆς ἁμαρτίας θάνατος
A palavra ὀψώνια (opsōnia) era usada para indicar o pagamento recebido por um soldado.
O pecado paga um salário.
Seu pagamento é a morte espiritual.
Deus quer salvar todos
A existência do inferno não significa que Deus deseje condenar alguém.
Pelo contrário.
São Pedro afirma:
"O Senhor é paciente convosco, não querendo que ninguém pereça, mas que todos cheguem ao arrependimento."
2 Pedro 3,9.
São Paulo escreve:
"Deus quer que todos os homens sejam salvos."
1 Timóteo 2,4.
A Cruz de Cristo é a maior prova disso.
Jesus morreu justamente para que ninguém precisasse perder o Céu.
A maior vitória não acontece dentro de um estádio
Quando o Brasil conquistar outra Copa, milhões irão comemorar.
Mas essa alegria durará alguns dias.
Depois virá outra Copa.
Outro campeonato.
Outra discussão esportiva.
Nada disso permanece.
O Céu, porém, permanece para sempre.
A verdadeira vitória não será levantar uma taça.
Será ouvir, no dia do Juízo, as palavras que todo cristão deveria desejar acima de qualquer outra conquista:
"Muito bem, servo bom e fiel... entra na alegria do teu Senhor."
Mateus 25,21.
No grego:
Εὖ, δοῦλε ἀγαθὲ καὶ πιστέ
A palavra Εὖ (Eu) significa "bem", "excelente", "muito bem". É a aprovação definitiva do próprio Cristo.
Enquanto Mateus 25,41 apresenta as palavras mais terríveis que alguém pode ouvir — "Apartai-vos de mim" — Mateus 25,21 apresenta as mais consoladoras.
Toda a vida cristã consiste em decidir, diariamente, qual dessas duas frases desejamos ouvir na eternidade.
Quando um sonho legítimo se transforma em um ídolo
O problema nunca foi o futebol.
O problema começa quando qualquer realidade criada ocupa, em nosso coração, o lugar que pertence somente ao Criador.
A Sagrada Escritura não condena o lazer, o esporte ou a alegria das competições. Pelo contrário, São Paulo utiliza diversas imagens esportivas para ensinar sobre a vida espiritual. O que ela condena é a idolatria, isto é, colocar qualquer pessoa, prazer, bem material ou conquista acima de Deus.
É exatamente por isso que o Primeiro Mandamento continua sendo atual:
"Eu sou o Senhor teu Deus... Não terás outros deuses diante de mim."
Êxodo 20,2-3.
O Catecismo explica:
"A idolatria consiste em divinizar o que não é Deus. Há idolatria sempre que o homem honra e reverencia uma criatura em lugar de Deus."
Catecismo da Igreja Católica, §2113.
Isso significa que um campeonato pode tornar-se um ídolo.
O dinheiro pode tornar-se um ídolo.
A carreira profissional pode tornar-se um ídolo.
Até mesmo a própria família pode ocupar o lugar de Deus quando deixa de ser vivida segundo a vontade divina.
Jesus foi muito claro ao afirmar:
"Onde está o teu tesouro, aí estará também o teu coração."
Mateus 6,21.
No texto grego encontramos:
Ὅπου γάρ ἐστιν ὁ θησαυρός σου, ἐκεῖ ἔσται καὶ ἡ καρδία σου.
A palavra θησαυρός (thēsaurós) significa "tesouro", mas também aquilo que alguém considera seu maior bem. Cristo não está apenas perguntando onde está o nosso dinheiro; Ele pergunta onde repousa o centro dos nossos afetos, das nossas esperanças e da nossa segurança.
Se o maior sofrimento de uma pessoa é perder um campeonato, mas ela permanece indiferente diante do pecado grave, talvez seja hora de examinar onde realmente está o seu tesouro.
O perigo de viver apenas para as glórias que passam
Vivemos numa época em que tudo gira em torno da conquista de reconhecimento.
Queremos títulos.
Seguidores.
Curtidas.
Prestígio.
Aplausos.
Recordes.
Mas Cristo nos faz uma pergunta desconcertante:
"Como podeis crer, vós que recebeis glória uns dos outros e não buscais a glória que vem do Deus único?"
João 5,44.
A palavra grega utilizada para "glória" é δόξα (dóxa).
Na cultura bíblica, essa palavra não indica apenas fama, mas honra, reconhecimento e importância.
Jesus denuncia uma tentação muito presente em todas as épocas: viver buscando aprovação humana enquanto negligenciamos a aprovação divina.
São João resume esse perigo de maneira admirável:
"Porque tudo o que há no mundo — a concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos e a soberba da vida — não vem do Pai, mas do mundo. E o mundo passa, com as suas concupiscências; mas aquele que faz a vontade de Deus permanece para sempre."
1 João 2,16-17.
O futebol passa.
Os campeonatos passam.
Os recordes são quebrados.
Os ídolos envelhecem.
As manchetes desaparecem.
Somente permanece quem vive unido à vontade de Deus.
O que significa perder o Céu eternamente?
Na linguagem cotidiana, perder alguma coisa normalmente significa poder recuperá-la depois.
Quem perde dinheiro pode trabalhar novamente.
Quem perde uma eleição pode disputar outra.
Quem perde uma Copa espera quatro anos.
Mas perder o Céu possui um significado completamente diferente.
Na doutrina católica, trata-se da perda definitiva da visão beatífica, isto é, da contemplação direta de Deus, para a qual fomos criados.
O Catecismo ensina:
"Os que morrem na graça e na amizade de Deus vivem para sempre com Cristo. São para sempre semelhantes a Deus, porque o veem tal como Ele é."
Catecismo da Igreja Católica, §1023.
Essa visão direta de Deus é chamada, pela tradição teológica, de Visão Beatífica.
São Paulo descreve essa realidade quando escreve:
"Agora vemos como num espelho, confusamente; então veremos face a face."
1 Coríntios 13,12.
No grego:
πρόσωπον πρὸς πρόσωπον
Literalmente:
"rosto a rosto" ou "face a face".
Não existe experiência humana capaz de comparar-se com isso.
Perder o Céu significa perder eternamente essa comunhão perfeita com Deus.
Significa perder a felicidade para a qual cada alma foi criada desde toda a eternidade.
É por isso que nenhuma derrota esportiva, por maior que seja, pode sequer aproximar-se dessa perda.
O Inferno não é apenas um lugar, mas uma separação definitiva
A tradição católica sempre ensinou que a maior dor do inferno não consiste apenas no sofrimento descrito pelas imagens do fogo.
A maior pena é estar definitivamente separado de Deus.
São João Paulo II explicou essa realidade afirmando:
"Mais do que um lugar, o inferno indica a situação de quem livre e definitivamente se afasta de Deus."
São João Paulo II, Audiência Geral de 28 de julho de 1999.
Essa explicação está em perfeita harmonia com o Catecismo, que afirma:
"A pena principal do inferno consiste na separação eterna de Deus."
Catecismo da Igreja Católica, §1035.
É precisamente essa separação que torna a perda do Céu incomparavelmente maior do que qualquer sofrimento terreno.
São Paulo faz uma comparação entre o esporte e a vida eterna
Curiosamente, um dos maiores textos bíblicos sobre o esporte foi escrito justamente para mostrar que existe uma competição infinitamente mais importante.
São Paulo escreve:
"Os atletas se impõem toda espécie de disciplina para alcançar uma coroa perecível; nós, porém, uma coroa imperecível."
1 Coríntios 9,25.
No grego encontramos:
στέφανον φθαρτόν
στέφανον ἄφθαρτον
A primeira expressão significa:
"coroa corruptível."
A segunda:
"coroa incorruptível."
Na Grécia antiga, os vencedores recebiam uma coroa feita de folhas.
Ela secava rapidamente.
Paulo usa essa imagem para ensinar que todas as glórias deste mundo possuem prazo de validade.
A recompensa dos santos, porém, jamais desaparecerá.
A esperança cristã muda completamente nossa escala de valores
Quem vive olhando apenas para esta vida inevitavelmente exagera a importância das derrotas temporárias.
Quem vive olhando para a eternidade aprende a relativizar aquilo que antes parecia enorme.
É exatamente isso que São Paulo ensina:
"Os sofrimentos do tempo presente não têm proporção alguma com a glória futura que há de ser revelada em nós."
Romanos 8,18.
A palavra grega utilizada para "glória" continua sendo δόξα (dóxa).
A verdadeira glória não será recebida diante de milhões de espectadores em um estádio.
Será recebida diante do trono do próprio Deus.
Os santos viveram com os olhos fixos na eternidade
São Filipe Néri costumava repetir:
"Quem deseja outra coisa que não Cristo não sabe o que deseja."
Fonte: Máximas espirituais atribuídas a São Filipe Néri.
Santa Catarina de Sena escreveu:
"Se sois aquilo que deveis ser, colocareis fogo no mundo."
Fonte: Carta 368.
Ela não falava de fama.
Falava da santidade.
São Josemaria Escrivá dizia:
"Vale a pena dar a vida inteira por Cristo."
Fonte: Caminho, n. 783.
Esses santos compreenderam que nenhuma conquista terrestre possui valor comparável ao destino eterno da alma.
A verdadeira vitória já começou
Cada vez que um cristão vence uma tentação, ele conquista uma vitória mais importante do que qualquer campeonato.
Cada confissão bem feita representa uma vitória da graça sobre o pecado.
Cada Comunhão recebida dignamente fortalece a alma para a caminhada rumo ao Céu.
Cada ato de caridade aproxima o cristão daquele amor perfeito que encontrará sua plenitude na eternidade.
Por isso, São Paulo conclui sua vida dizendo:
"Combati o bom combate, terminei a corrida, guardei a fé."
2 Timóteo 4,7.
Logo depois acrescenta:
"Agora está reservada para mim a coroa da justiça."
2 Timóteo 4,8.
Não era uma medalha.
Não era um troféu.
Era a recompensa eterna prometida pelo justo Juiz.
Uma pergunta que vale mais do que qualquer placar
Quando a próxima Copa do Mundo terminar, haverá campeões e derrotados. As ruas voltarão ao normal, os estádios se esvaziarão e as manchetes serão substituídas por novas notícias. O tempo seguirá seu curso, como sempre aconteceu.
Mas chegará um dia em que cada ser humano comparecerá diante de Cristo, não como torcedor, atleta ou espectador, mas como uma alma chamada a prestar contas da própria vida. Nesse momento, o único resultado que realmente importará será este: vivi para as glórias passageiras ou para a glória eterna? Busquei apenas uma coroa que murcha ou permaneci fiel à coroa incorruptível prometida por Deus?
Se uma derrota em campo é capaz de despertar lágrimas, quanto mais deveria nos sensibilizar a possibilidade de perder a amizade de Deus pelo pecado. E se uma vitória esportiva enche um povo de alegria por alguns dias, quanto maior será a alegria daquele que ouvir de Cristo as palavras reservadas aos santos: "Vinde, benditos de meu Pai, recebei em herança o Reino preparado para vós desde a fundação do mundo" (Mateus 25,34).
Que nossa maior torcida, nosso maior esforço e nossa maior paixão sejam sempre dirigidos à única vitória que jamais terá fim: a conquista da vida eterna na presença de Deus.
Conclusão
Perder uma Copa do Mundo pode entristecer um país inteiro, mas essa dor passa. Em poucos anos haverá outro campeonato, outra seleção, outra oportunidade de comemorar.
Perder o Céu, porém, não admite revanche, prorrogação ou segunda chance. A própria Escritura é clara ao afirmar que, após a morte, vem o juízo (Hebreus 9,27). Por isso, Jesus insiste tanto na vigilância, na conversão, no arrependimento e na perseverança.
O cristão é livre para torcer, vibrar e se alegrar com o esporte. Contudo, jamais pode permitir que uma paixão passageira ocupe o lugar daquilo que é eterno. A maior derrota da história não é uma eliminação em uma Copa do Mundo; é ouvir de Cristo: "Afastai-vos de mim". E a maior vitória que um ser humano pode alcançar não é levantar um troféu diante das nações, mas receber das mãos do Senhor a coroa da vida eterna.
Como ensina o Catecismo da Igreja Católica (§1024), "esta vida perfeita com a Santíssima Trindade, esta comunhão de vida e de amor com Ela, com a Virgem Maria, os anjos e todos os bem-aventurados chama-se Céu". Que essa seja a meta de cada cristão: viver de tal forma que, ao final da corrida, possa ouvir do próprio Cristo: "Entra na alegria do teu Senhor" (Mt 25,21).











