
Promessa de fidelidade
Todos nós sabemos que, no rito do matrimônio, é feita a promessa da fidelidade. Porém, gostaria de convidá-lo a olhar com outros olhos essa decisão. Fidelidade significa ser exclusivo de alguém, separar o que somos e a nossa afetividade sexual para uma única pessoa.
É reservar o que temos de mais precioso para entregar àquele que se mostrou digno de nos receber por causa do seu amor (comprometido na saúde e na doença, na alegria e na tristeza…). Sendo o matrimônio nossa vocação, nos nossos cônjuges Deus colocou tudo o que é necessário para nos completar e nos saciar em todos os aspectos – também no sexual.
O outro é um tesouro escondido que encontramos, e pelo qual vendemos todos os nossos bens (incluindo outras pessoas). Costumo dizer para os noivos que deveriam olhar um para o outro e sentir: “Nossa, essa pessoa é um tesouro! Não posso perdê-la!”. Se estiver em dúvida sobre isso, não se case. A exclusividade não pode ser um peso, uma prisão! Ela é um ganho, uma sorte grande de ter encontrado alguém tão especial para dividir a vida.
A fidelidade não é algo prático (não trair) ou imposta pelo meio exterior. Para ser verdadeira, deve nascer no interior e governar cada pensamento, cada sentimento da pessoa.
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Adultério
Amo uma passagem bíblica em que Jesus surpreende os fariseus ao falar sobre o adultério. Ele diz: “Todo aquele que olhar para uma mulher com o desejo de possuí-la, já cometeu adultério com ela em seu coração”. Pense que loucura!
A pessoa não praticou nenhum ato, ninguém sabe que ela pensou aquilo, mas Jesus diz que ela já cometeu adultério (nem preciso dizer quão grave é a pornografia após entendermos isso!).
A verdadeira fidelidade é um voto feito a Deus, uma consagração da sexualidade. Algo pessoal e íntimo, que diz respeito a nós e a Deus. A nossa fidelidade não pode ser determinada pelas atitudes do outro (mesmo que ocorra traição da outra parte). A nossa fidelidade gerará santidade e realização em nós e trará segurança e paz para nossa casa.
Em relação à doação, precisamos ter em mente o conceito verdadeiro do sexo e da realização sexual(explicado em outro artigo). A doação na castidade matrimonial envolve não usar do sexo e do outro para a nossa satisfação, mas buscar a doação para tornar o outro realizado. Com isso, dentro da relação sexual não sobra espaço para o desrespeito, para as atitudes que fogem da natureza humana ou para a agressividade.
Sendo vocação, a nossa entrega ao esposo é uma representação terrestre da nossa entrega ao próprio Deus. Ele se torna a representação viva de Cristo, a quem devemos respeito, amor, serviço e dedicação. Na vida sexual, a realização do outro é nosso dever, nosso objetivo. Por isso, vivemos a sexualidade não para nós, mas para o outro. Nessa entrega está nossa realização.

A relação sexual é a total doação
Para ser verdadeira, essa doação precisa envolver tudo o que somos, a nossa totalidade. Nosso intelecto, sentimentos, nossa história e corpo. Tudo aberto e disponível para o outro, para completá-lo. A relação sexual na total doação não pode ter limitação, precisa acolher tudo o que o outro é, inclusive na sua fecundidade.
Um casal que se fecha aos filhos (usando métodos anticoncepcionais, por exemplo) está rejeitando um dom existente no outro. Não se doam por completo, por isso não vivem uma castidade real.
Deus fez o ser humano de forma que um casal é fértil durante um pequeno período em cada ciclo menstrual e em uma fase restrita da vida. Assim sendo, Ele permitiu que fosse possível a vida sexual nos outros dias e fases, sem a geração de um novo filho. A fecundidade do outro é um dom, e se estou fechada a isso, não o estou acolhendo em sua totalidade.
Você deve ter percebido que a castidade no matrimônio é um grande desafio diário e para a vida toda. Ela é uma representação da própria fidelidade de Cristo à Igreja, e é um dom que deve ser pedido a Deus constantemente.
Com certeza, gerará uma grande felicidade para aqueles que a conquistarem. Termino com uma frase linda do Catecismo da Igreja Católica: “A castidade comporta uma aprendizagem do domínio de si, que é uma pedagogia da liberdade humana. A alternativa é clara: ou o homem comanda suas paixões e obtém a paz ou se deixa subjugar por elas e se torna infeliz (§2339).”
A castidade conjugal não significa abstinência total ou “não ter relações”, mas sim viver a sexualidade dentro do amor verdadeiro, de forma ordenada, fiel, aberta à vida e respeitosa com o cônjuge.
Em resumo, é o domínio de si mesmo e o uso do dom sexual conforme o plano de Deus.
“A castidade significa a integração correta da sexualidade na pessoa e, com isso, a unidade interior do homem no seu ser corporal e espiritual.”
— Catecismo da Igreja Católica (CIC 2337)
No matrimônio, essa integração se manifesta no amor fiel, exclusivo e aberto à procriação.
CASTIDADE DOS ESPOSOS SEGUNDO O CATECISMO
CIC 2363:
“O amor conjugal do homem e da mulher está ordenado, por sua própria natureza, à comunhão e à geração. (...) O ato conjugal, pelo qual os esposos se doam e se recebem mutuamente, é nobre e digno.”
CIC 2360:
“A sexualidade é fonte de alegria e de prazer. O Criador quis que os esposos experimentassem prazer e satisfação do corpo e do espírito. Mas os esposos devem saber permanecer dentro dos limites de uma justa moderação.”
CIC 2349:
“As pessoas casadas são chamadas a viver a castidade conjugal; as outras, a castidade na continência.”
Portanto, os casados vivem a castidade não negando o corpo, mas vivendo o amor com pureza, respeito e fidelidade.
BASE BÍBLICA
A Bíblia apresenta o matrimônio como um dom e uma aliança sagrada:
Gênesis 2,24:
“Por isso, o homem deixará seu pai e sua mãe e se unirá à sua mulher, e os dois serão uma só carne.”
Hebreus 13,4:
“O matrimônio deve ser honrado por todos, e o leito conjugal conservado sem mancha, pois Deus julgará os libertinos e adúlteros.”
1 Coríntios 7,3-5:
“O marido dê à esposa o que é devido; e a esposa faça o mesmo ao marido. (...) Não vos priveis um ao outro, a não ser de comum acordo, por algum tempo, para vos dedicardes à oração; e depois vos unis novamente, para que Satanás não vos tente por causa da vossa incontinência.”
Efésios 5,25-28:
“Maridos, amai vossas esposas como Cristo amou a Igreja e se entregou por ela (...) Assim os maridos devem amar suas esposas como a seus próprios corpos.”
Esses textos mostram que o amor conjugal deve refletir o amor de Cristo pela Igreja — fiel, total, fecundo e puro.
PRINCÍPIOS DA CASTIDADE CONJUGAL
Fidelidade:O amor é exclusivo e total — não há espaço para adultério, pornografia ou qualquer forma de traição do coração ou do corpo.
Abertura à vida:
A união conjugal deve estar aberta à possibilidade de gerar filhos. A Igreja rejeita o uso de métodos contraceptivos artificiais (CIC 2370), mas aprova o uso dos métodos naturais de regulação da fertilidade quando há motivos justos.
Respeito mútuo:
O ato conjugal deve ser expressão de amor, nunca de egoísmo ou dominação. Qualquer prática que degrade o cônjuge ou o transforme em objeto é contrária à castidade.
Domínio de si:
Os esposos aprendem a controlar seus impulsos e a se doar com amor verdadeiro. Isso os fortalece espiritualmente e aprofunda sua união.
ENSINAMENTO DOS PAPAS
São João Paulo II — Teologia do Corpo:
“A castidade é a energia espiritual que defende o amor contra os perigos do egoísmo e da agressão, e o guia para a sua plena realização.”
Papa Francisco — Amoris Laetitia (n. 206):
“A castidade não é uma negação do prazer, mas a educação do amor que sabe respeitar o outro e se doar plenamente.”
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