Matrimônio: você não se casou para ser feliz, mas para ser Santo e levar o outro para o céu.


Uma frase muito repetida na formação de namorados e noivos, como um sábio conselho para quem se prepara para o matrimônio, é: “Você não se casa para ser feliz, mas para fazer o outro feliz”. Ainda que traga em si uma intenção muito nobre e boa, que é afastar-nos do nosso egoísmo, trata-se de um ensinamento errado, que pode levar quem toma a frase ao pé da letra a uma grande frustração. Saiba mais abaixo:

Uma frase muito repetida na formação de namorados e noivos, como um sábio conselho para quem se prepara para o matrimônio, é: “Você não se casa para ser feliz, mas para fazer o outro feliz”. Ainda que traga em si uma intenção muito nobre e boa, que é afastar-nos do nosso egoísmo, trata-se de um ensinamento errado, que pode levar quem toma a frase ao pé da letra a uma grande frustração. É que nenhum ser humano tem a capacidade de fazer outro ser humano feliz. Por mais que ame e se empenhe numa vida dedicada a essa causa, simplesmente não é possível. É que dentro de cada pessoa há uma sede de felicidade infinita, ilimitada, e nós só podemos dar o que é finito, limitado. É como esperar que alguém cruze um deserto tórrido, numa viagem que durará anos, com apenas um copo d’água. Aquela água poderá proporcionar alguns instantes de felicidade, um alívio num dia mais quente. A pessoa poderá até se sentir saciada por um curto tempo, mas não dá para sobreviver por anos num deserto apenas com um copo d’água. Da mesma forma, o casamento não pode proporcionar a felicidade perfeita e nem é esse o seu fim. Portanto, você não se casa para fazer o outro feliz, porque isso é impossível. O casamento, ensina padre Cormac Burke, é uma das escolas de Deus, uma escola de amor, onde os alunos são formados para amar, de forma que sejam capazes de gozar plenamente do amor de Deus no céu.

 

 

Uma vida a dois envolve interação quase incessante entre duas pessoas que se descobrem a cada dia, por meio da repetição de frases, pequenos atos, reações quase imperceptíveis, sorrisos (ou falta deles), gestos de carinho (ou falta deles), decisões. Nessa “escola de amor” descobrimos nossas próprias misérias e limitações, mas nos deparamos também com as misérias e limitações do outro. Imaginemos um cônjuge que deseje ardentemente viver bem sua vida matrimonial. Ao se deparar com os defeitos do outro, ao invés de parar neles, de julgar ou iniciar uma discussão, ele pensa: “Eu me casei para fazer o outro feliz, por isso não vou parar nesse defeito dele”. Essa frase traz algo de belíssimo, como já foi dito, que é o impulso de lutar contra o egoísmo. Mas pensemos em alguns exemplos práticos, comuns à vida de casal, de um cônjuge que encare “fazer o outro feliz” como meta de vida:

Fazer o outro feliz é sua meta?

Primeiro exemplo: um casal em que o marido é perfeccionista, muito organizado e, por conta disso, altamente exigente nesse aspecto. A esposa, por sua vez, é uma pessoa normal, que tende à desorganização e a pensar que “de qualquer jeito está ótimo, não sou exigente”. Isso foi fonte de tensão no casamento por muito tempo, até que a esposa, pensando na máxima de que tem que fazer o outro feliz, resolve ser perfeccionista e organizada, à maneira de seu marido. Ela se esforça muito para deixar as coisas no lugar certo, ser mais cuidadosa na arrumação da mesa, dos livros, do guarda-roupa. Passa meses se disciplinando nisso, mas ainda assim o seu marido sempre encontra algo para melhorar no que ela arruma, já que ele foi a vida inteira organizado e a sua visão de qual a melhor maneira de deixar um quarto arrumado é diferente da visão da sua esposa, por mais que ela se esforce. “Eu tento deixá-lo satisfeito”, uma hora a esposa pensará, frustrada, “mas ele não colabora. Nada que eu faça está bom, nunca é suficiente. Eu não consigo fazê-lo feliz!”

Segundo exemplo: a esposa tem muita necessidade de falar, de partilhar, e o marido é calado e quando fala, é monossilábico, falando sempre “sim”, “não”, “ok”, coisas que irritam a esposa. A esposa já chorou muito por conta disso, dizendo que queria ter no esposo um amigo, alguém que a ouvisse de verdade, que se pronunciasse, mostrasse que se importa, ao invés de ficar só balançando a cabeça e dizendo “é isso mesmo…”. O marido lembra que se casou “para fazer o outro feliz” e resolve ir mudando seu comportamento. É um esforço hercúleo que ele faz para sair de si e falar, partilhar com sua esposa, ouvi-la atentamente, dar opiniões, numa tentativa sincera de fazer sua esposa feliz. Com o tempo, ele já praticou tanto tudo isso que se tornou natural participar mais ativamente da conversa, inclusive opinando sobre determinados pensamentos que sua esposa apresenta. Esse comportamento, contudo, tem gerado uma nova tensão: a sua esposa agora tem se sentido julgada pelo marido. “Tudo que eu falo você tem que dizer que eu penso assim por causa disso ou por causa daquilo, que o certo era fazer assim ou assado”, diz a esposa, magoada. O marido sente-se totalmente perdido e frustrado. Tanto esforço e aparentemente as coisas só pioraram. “Ela reclamava quando eu não falava e parece que reclama mais agora que eu falo. Eu realmente não consigo fazer minha esposa feliz”.

 

 

Incompatibilidade

Esses dois exemplos bem simples somam-se a muitas situações parecidas que qualquer casal com alguns anos de estrada enfrenta, em que um cônjuge tenta, com a melhor das intenções, fazer o outro feliz e percebe que fracassa. Isso gera frustração e raiva e pode crescer em duas direções, que descambam na mesma conclusão errônea: a primeira direção é o cônjuge pensar que é incapaz, insuficiente, inadequado, só faz besteira, só erra, só fere o outro. A pessoa passa a se sentir sempre em débito dentro do matrimônio, já que falha na missão de fazer o outro feliz. “Eu não sirvo para ele(a)”, pensa o cônjuge nessa situação. A segunda direção é pensar que o outro é ingrato, insensível,
não se esforça, não quer fazer o casamento funcionar, é egoísta, afinal, “eu faço de tudo e ele(a) continua insatisfeito(a), reclamando da vida, infeliz”. “Ele(a) não serve para mim”, pensa o cônjuge. A conclusão comum a que esses dois raciocínios equivocados chegam é que há uma incompatibilidade entre o casal. “Não nascemos um para o outro, não damos certo como casal porque eu fracassei em fazer o outro feliz”.

 

 

Sempre fracassaremos se pensarmos que nossa missão é fazer o outro feliz. O matrimônio é uma escola de amor, e, como tal, podemos dizer que nos casamos para amar, como Cristo amou a sua esposa, a Igreja. Casar-se para fazer o outro feliz significa amar esperando um resultado: a felicidade do outro. Eu mudo meu comportamento, faço isso ou aquilo com o olho no que espero do outro. Se o resultado não aparece, sinto-me frustrado. Esse amor é humano. O amor que vem de Deus, por sua vez, nada exige em troca. É como Cristo, que morreu por nossos pecados, sem que merecêssemos. Assim, eu tiro da minha cabeça a ideia de que minha meta é fazer meu cônjuge feliz e corrijo as coisas: minha meta é amar. Ainda que minhas atitudes de amor não sejam reconhecidas pelo outro, meu compromisso é amar sempre mais. Mesmo que minhas expectativas sejam frustradas porque eu esperava mudança no cônjuge, meu compromisso é amar sem reservas, sem limites, sem exigir nada em troca, sem buscar meus próprios interesses, tudo desculpando, tudo crendo, tudo esperando, tudo suportando. Viver esse treinamento por toda a vida no matrimônio levará seu cônjuge a experimentar o amor de Deus no seu amor. Compreendendo que a felicidade perfeita só será alcançada no céu, é possível encontrar felicidade e alegria no matrimônio sendo um aluno aplicado dessa escola de amor, ou seja, amando, amando e amando até o último instante.

 

Fonte: https://formacao.cancaonova.com/relacionamento/casamento/voce-nao-se-casou-para-fazer-o-outro-feliz/

 

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