Você sabia que, ao ferirmos um dos 10 mandamentos, estamos odiando Deus e negando seu amor?


Uma afirmação forte, mas profundamente bíblica. À primeira vista, essa afirmação pode parecer exagerada. Afinal, muitos pensam que desobedecer a um mandamento é apenas "cometer um erro", "fraquejar" ou "quebrar uma regra". No entanto, quando lemos atentamente as Sagradas Escrituras, percebemos que o pecado possui uma dimensão muito mais profunda. Vejamos a seguir:

Uma afirmação forte, mas profundamente bíblica

À primeira vista, essa afirmação pode parecer exagerada. Afinal, muitos pensam que desobedecer a um mandamento é apenas "cometer um erro", "fraquejar" ou "quebrar uma regra". No entanto, quando lemos atentamente as Sagradas Escrituras, percebemos que o pecado possui uma dimensão muito mais profunda.

Todo pecado é uma rejeição da vontade de Deus. Quando alguém escolhe livremente desobedecer ao Senhor, está preferindo sua própria vontade à vontade daquele que o criou por amor. Em outras palavras, todo pecado contém, em si mesmo, uma recusa ao amor de Deus.

É importante, porém, fazer uma distinção essencial ensinada pela Igreja: nem todo pecado significa que a pessoa sente emocionalmente "ódio" por Deus. A doutrina católica ensina que o pecado mortal é uma rejeição consciente e livre da amizade com Deus, enquanto o pecado venial fere essa amizade sem destruí-la completamente. Assim, dizer que o pecado "odeia Deus" deve ser entendido em sentido moral e espiritual: quem escolhe o pecado coloca sua vontade contra a vontade divina.


O primeiro mandamento revela o fundamento de toda a Lei

Quando Deus entrega os Mandamentos a Moisés, Ele inicia dizendo:

"Eu sou o Senhor teu Deus, que te fez sair da terra do Egito, da casa da escravidão. Não terás outros deuses diante de mim."

(Êxodo 20,2-3)

O amor a Deus não nasce da obrigação, mas da gratidão. Deus primeiro salva, depois pede fidelidade.

Em Deuteronômio encontramos o maior mandamento do Antigo Testamento:

"Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma e de toda a tua força."

(Deuteronômio 6,5)

No hebraico lemos:

וְאָהַבְתָּ אֵת יְהוָה אֱלֹהֶיךָ

(Ve"ahavta et Adonai Elohecha)

A palavra hebraica אָהַב (ahav) significa amar profundamente, escolher, permanecer fiel.

Não se trata apenas de um sentimento, mas de uma decisão de vida.


Jesus resume todos os mandamentos no amor

Quando um doutor da Lei pergunta qual é o maior mandamento, Jesus responde:

"Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma e de todo o teu entendimento."

(Mateus 22,37)

Depois acrescenta:

"Desses dois mandamentos dependem toda a Lei e os Profetas."

(Mateus 22,40)

Toda a Lei possui um único fundamento: o amor.

Portanto, quando alguém quebra um mandamento, não está simplesmente descumprindo uma norma jurídica. Está ferindo o amor que sustenta toda a Lei.


"Se me amais, guardareis os meus mandamentos"

Jesus estabelece uma ligação direta entre amor e obediência.

"Se me amais, guardareis os meus mandamentos."

(João 14,15)

No original grego:

Ἐὰν ἀγαπᾶτέ με, τὰς ἐντολάς μου τηρήσετε.

Transliteração:

Ean agapate me, tas entolas mou teresete.

Duas palavras chamam atenção.

ἀγαπάω (agapaō)

É o verbo utilizado para o amor perfeito, sacrificial e fiel.

τηρέω (tēreō)

Significa guardar, conservar, observar cuidadosamente.

Jesus não diz:

"Se me amais, tereis bons sentimentos."

Ele diz:

"Se me amais, guardareis os meus mandamentos."

O amor verdadeiro manifesta-se pela fidelidade.


Quem diz que ama Deus, mas não obedece, está mentindo

São João é extremamente claro.

"Quem diz: "Eu o conheço", mas não guarda os seus mandamentos, é mentiroso."

(1 João 2,4)

Poucos versículos depois escreve:

"Porque este é o amor de Deus: que guardemos os seus mandamentos."

(1 João 5,3)

No grego:

Αὕτη γάρ ἐστιν ἡ ἀγάπη τοῦ Θεοῦ

(Hautē gar estin hē agapē tou Theou.)

Literalmente:

"Este é o amor de Deus."

Ou seja, amar a Deus não é apenas uma emoção.

É viver segundo sua vontade.


O pecado é uma rebelião contra Deus

Desde o início da Bíblia, o pecado aparece como rejeição da autoridade divina.

No Éden, a serpente sugere:

"Sereis como deuses."

(Gênesis 3,5)

Todo pecado repete essa atitude.

É como se o homem dissesse:

"Não quero que Deus decida o que é bom."

"Prefiro decidir sozinho."

Essa foi precisamente a tentação original.


Pecar é preferir a criatura ao Criador

São Paulo explica:

"Trocaram a verdade de Deus pela mentira, adorando e servindo a criatura em lugar do Criador."

(Romanos 1,25)

Todo pecado envolve essa troca.

O prazer passa à frente da santidade.

O dinheiro passa à frente da honestidade.

O orgulho passa à frente da humildade.

A vontade própria passa à frente da vontade de Deus.


Quem ama o pecado não pode amar plenamente a Deus

Jesus afirma:

"Ninguém pode servir a dois senhores."

(Mateus 6,24)

Ou amamos a Deus acima de todas as coisas.

Ou colocamos outra realidade em seu lugar.

É exatamente isso que faz o pecado.


O pecado mortal rompe a amizade com Deus

A Igreja ensina que existe diferença entre pecado venial e pecado mortal.

O pecado venial enfraquece a caridade.

O pecado mortal destrói a caridade na alma.

O Catecismo afirma:

Catecismo da Igreja Católica §1855

"O pecado mortal destrói a caridade no coração do homem por uma infração grave da Lei de Deus."


Catecismo §1857

"Para que um pecado seja mortal requer-se matéria grave, plena consciência e pleno consentimento."


Catecismo §1858

"A matéria grave é precisada pelos Dez Mandamentos."

Os Mandamentos não são simples recomendações.

São critérios objetivos para avaliar a gravidade moral de nossos atos.


O que significa "odiar Deus"?

Alguns podem perguntar:

"Mas eu pequei e nunca odiei Deus."

A resposta da teologia católica é importante.

Existe diferença entre o ódio emocional e a oposição objetiva à vontade divina.

Quando a pessoa escolhe livremente um pecado grave sabendo que Deus o proíbe, ela coloca sua vontade contra a vontade de Deus.

Nesse sentido, Santo Tomás de Aquino ensina que o pecado implica uma aversão a Deus (aversio a Deo) e uma conversão desordenada às criaturas (conversio ad creaturam).

Fonte:

São Tomás de Aquino, Suma Teológica, I-II, q.71, a.6.


Judas e Pedro

Os dois pecaram gravemente.

Pedro negou Cristo.

(Mateus 26,69-75)

Judas traiu Cristo.

(Mateus 26,14-16)

A diferença não foi apenas o pecado.

Foi a resposta ao pecado.

Pedro chorou amargamente.

Judas desesperou.

O amor de Deus permanece oferecendo misericórdia.

Mas é preciso aceitar esse amor.


Santo Agostinho explica o pecado

Santo Agostinho escreve:

"Dois amores edificaram duas cidades: o amor de si levado até o desprezo de Deus fez a cidade terrena; o amor de Deus levado até o desprezo de si fez a Cidade de Deus."

Fonte:

A Cidade de Deus, Livro XIV, capítulo 28.

Todo pecado nasce do amor desordenado de si mesmo.


São João Crisóstomo

São João Crisóstomo afirma:

"Nada ofende tanto a Deus quanto desprezar os seus mandamentos."

Fonte:

Homilias sobre Mateus.


São Bernardo de Claraval

São Bernardo de Claraval escreve:

"A medida do amor a Deus é amá-Lo sem medida."

Fonte:

De Diligendo Deo.

Quem ama verdadeiramente procura agradar ao amado.


Santa Teresa de Jesus

Santa Teresa de Ávila ensina:

"O verdadeiro amor de Deus manifesta-se nas obras."

Fonte:

Castelo Interior, Sétimas Moradas.

Essa frase recorda diretamente as palavras de Jesus:

"Se me amais, guardareis os meus mandamentos."

(João 14,15)


A voz da Patrística

Santo Irineu de Lião escreve:

"A obediência é melhor do que o sacrifício, porque pela obediência o homem permanece unido ao seu Criador."

Fonte:

Adversus Haereses, Livro IV.


São Cipriano de Cartago afirma:

"Não pode ter Deus por Pai quem não obedece aos mandamentos de Deus."

Fonte:

De Catholicae Ecclesiae Unitate.


O Catecismo sobre os Mandamentos

O Catecismo dedica toda a terceira parte à vida moral.

Os Dez Mandamentos são apresentados como caminho da verdadeira liberdade.

Catecismo §2067

"Os Dez Mandamentos enunciam as exigências fundamentais do amor de Deus e do próximo."


Catecismo §2072

"Os Dez Mandamentos são fundamentalmente imutáveis."


Catecismo §2083

"Jesus resumiu os deveres do homem para com Deus nesta palavra: Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração."


O amor sempre exige escolhas

O jovem rico perguntou:

"Que devo fazer para alcançar a vida eterna?"

Jesus respondeu:

"Se queres entrar na vida, guarda os mandamentos."

(Mateus 19,17)

Observe que Jesus não responde:

"Apenas creia."

Nem responde:

"Apenas tenha bons sentimentos."

Ele aponta para uma vida transformada pela graça, expressa na obediência aos mandamentos.

Essa obediência não compra a salvação, mas manifesta uma fé viva, que atua pela caridade (Gálatas 5,6).


Deus não quer servos por medo, mas filhos por amor

Toda a moral cristã nasce do amor.

Quem ama evita ofender a pessoa amada.

Quem ama procura agradar.

Quem ama deseja permanecer unido.

Por isso Jesus diz:

"Permanecei no meu amor."

(João 15,9)

E logo acrescenta:

"Se guardardes os meus mandamentos, permanecereis no meu amor."

(João 15,10)

Não existe oposição entre amor e mandamentos.

Os mandamentos são a expressão concreta do amor.

O que realmente acontece dentro de nós quando quebramos um Mandamento?

Vivemos em uma época em que o pecado costuma ser tratado como um simples erro psicológico, uma fraqueza inevitável ou uma escolha pessoal sem maiores consequências. Porém, a Revelação nos apresenta uma realidade muito mais profunda. O pecado não transforma apenas nossas ações; ele transforma o nosso coração. Cada vez que escolhemos desobedecer a Deus, algo acontece dentro de nós: nossa capacidade de amar enfraquece, nossa consciência se obscurece e nossa amizade com o Senhor é ferida.

O Catecismo resume essa realidade de forma admirável:

O Catecismo sobre o pecado

Catecismo da Igreja Católica §1849

"O pecado é uma falta contra a razão, a verdade e a reta consciência; é uma falta ao amor verdadeiro para com Deus e para com o próximo."

Observe que o Catecismo não define o pecado apenas como uma infração jurídica. Antes de tudo, ele é uma falta contra o amor.

Sempre que pecamos, rompemos a ordem do amor estabelecida por Deus.


O pecado começa muito antes da ação exterior

Jesus ensina que o pecado nasce no coração.

"Porque do coração procedem os maus pensamentos, homicídios, adultérios, prostituições, furtos, falsos testemunhos e blasfêmias."

(Mateus 15,19)

No grego, a palavra utilizada para coração é:

καρδία (kardía)

Na mentalidade bíblica, a kardía não representa apenas os sentimentos. Ela designa o centro da pessoa, onde são tomadas as decisões, onde nasce a liberdade e onde o homem escolhe entre Deus e o pecado.

Assim, antes que uma mentira seja pronunciada ou um adultério seja cometido, o coração já começou a afastar-se de Deus.

É por isso que Jesus insiste tanto na conversão interior.


Pecar é dizer "não" ao Amor

São João faz uma afirmação extraordinária:

"Deus é amor."

(1 João 4,8)

No original grego:

Ὁ Θεὸς ἀγάπη ἐστίν.

(Ho Theós agápē estín.)

A palavra utilizada é ἀγάπη (agápē), o amor perfeito, gratuito, sacrificial e eterno.

Se Deus não apenas ama, mas é o próprio Amor, então rejeitar sua vontade significa rejeitar o Amor em pessoa.

É por isso que todo pecado possui uma dimensão profundamente relacional.

Não quebramos apenas uma norma.

Ferimos um relacionamento.


Estamos apenas errando ou rejeitando deliberadamente Deus?

Essa pergunta exige uma resposta equilibrada.

A Igreja distingue entre diferentes graus de responsabilidade moral.

Nem todo pecado possui a mesma gravidade.

Nem toda pessoa possui plena consciência.

Nem sempre existe consentimento completo.

Por isso o Catecismo afirma:

Catecismo §1735

"A imputabilidade e a responsabilidade de uma ação podem ser diminuídas ou até anuladas pela ignorância, inadvertência, violência, medo, hábitos, afeições desordenadas e outros fatores psíquicos ou sociais."

Contudo, quando alguém pratica livremente um pecado grave sabendo que Deus o proíbe, essa pessoa está objetivamente colocando sua vontade acima da vontade de Deus.

É exatamente isso que constitui o pecado mortal.


O pecado mortal destrói a amizade com Deus

O Catecismo afirma:

Catecismo §1861

"O pecado mortal é uma possibilidade radical da liberdade humana, como o próprio amor."

Que frase impressionante.

O mesmo dom da liberdade que nos permite amar é aquele que pode ser usado para rejeitar Deus.

O amor jamais pode ser imposto.

Por isso Deus respeita profundamente nossa liberdade.

Mas toda liberdade implica responsabilidade.


Toda escolha molda o coração

Cada decisão deixa uma marca na alma.

Quando escolhemos repetidamente a virtude, tornamo-nos mais semelhantes a Cristo.

Quando escolhemos repetidamente o pecado, o coração endurece.

Foi exatamente isso que aconteceu com o Faraó.

Diversas vezes a Escritura afirma:

"O coração do Faraó endureceu."

(Êxodo 8–14)

No hebraico aparece frequentemente o verbo:

חָזַק (ḥazaq)

Que significa:

fortalecer

tornar rígido

endurecer.

O pecado repetido cria hábitos.

Os hábitos tornam-se vícios.

Os vícios escravizam.

É por isso que Jesus afirma:

"Todo aquele que comete pecado é escravo do pecado."

(João 8,34)


O pecado obscurece nossa inteligência

São Paulo descreve um efeito pouco percebido do pecado.

"Obscureceu-se-lhes o coração insensato."

(Romanos 1,21)

Mais adiante acrescenta:

"Trocaram a verdade de Deus pela mentira."

(Romanos 1,25)

O pecado não afeta apenas a vontade.

Afeta também a inteligência.

Começamos a justificar aquilo que antes reconhecíamos como errado.

Aquilo que antes causava arrependimento passa a parecer normal.

É exatamente esse processo que vemos acontecer na sociedade contemporânea.


Quando o pecado deixa de incomodar

Um dos maiores perigos da vida espiritual não é apenas cometer um pecado.

É deixar de sentir tristeza por tê-lo cometido.

São Paulo fala daqueles cuja consciência foi cauterizada.

"Têm a consciência marcada como por ferro em brasa."

(1 Timóteo 4,2)

No grego:

καυστηριάζω

(kaustēriazō)

Literalmente:

queimar

cauterizar.

Uma consciência cauterizada já não reage ao pecado.

Ela perde a sensibilidade espiritual.

Esse talvez seja um dos maiores dramas do nosso tempo.


Por que tratamos tantos pecados como algo normal?

Vivemos numa cultura que relativiza o mal.

O pecado recebe novos nomes.

O adultério torna-se "uma nova oportunidade de amar".

A mentira transforma-se em "estratégia".

A ganância passa a ser chamada de "ambição saudável".

A impureza recebe o nome de "liberdade".

Mas mudar o nome das coisas não muda sua realidade diante de Deus.

O profeta Isaías já advertia:

"Ai dos que ao mal chamam bem e ao bem chamam mal."

(Isaías 5,20)

Essa profecia permanece extremamente atual.


Amar mais o pecado do que Deus

Talvez essa seja uma das verdades mais difíceis de aceitar.

Sempre que escolhemos conscientemente um pecado grave, estamos dizendo, com nossos atos:

"Neste momento, prefiro isso a Deus."

Pode ser dinheiro.

Pode ser orgulho.

Pode ser prazer.

Pode ser vingança.

Pode ser poder.

Qualquer realidade criada torna-se um ídolo quando ocupa o lugar que pertence somente ao Criador.

É exatamente isso que Santo Agostinho chama de amor desordenado (amor inordinatus).

Não significa amar coisas boas.

Significa amá-las mais do que Deus.


O exemplo do filho pródigo

A parábola do filho pródigo ilustra perfeitamente essa realidade.

(Lucas 15,11-32)

O filho não apenas pediu sua herança.

Ele preferiu uma vida distante do pai.

Enquanto havia dinheiro e prazeres, acreditava estar vivendo plenamente.

Somente quando experimentou o vazio do pecado percebeu o que realmente havia perdido.

O pecado sempre promete liberdade.

Mas termina produzindo escravidão.


Os Mandamentos são caminhos para a felicidade

Muitas pessoas imaginam que Deus proibiu certas coisas para limitar nossa felicidade.

A Bíblia ensina exatamente o contrário.

Moisés diz ao povo:

"Hoje proponho diante de ti a vida e o bem, a morte e o mal."

(Deuteronômio 30,15)

Poucos versículos depois conclui:

"Escolhe, pois, a vida."

(Deuteronômio 30,19)

Os Mandamentos não são obstáculos à felicidade.

São o caminho que conduz à verdadeira vida.


O pecado sempre nos promete mais do que pode oferecer

A serpente prometeu a Adão e Eva:

"Sereis como deuses."

(Gênesis 3,5)

A promessa era falsa.

O pecado continua utilizando exatamente a mesma estratégia.

Promete felicidade.

Entrega vazio.

Promete liberdade.

Entrega escravidão.

Promete prazer.

Entrega culpa.

Promete autonomia.

Entrega solidão.

Por isso Jesus afirma:

"O ladrão vem somente para roubar, matar e destruir; eu vim para que tenham vida."

(João 10,10)


O pecado entristece o Espírito Santo

São Paulo faz uma advertência pouco lembrada:

"Não entristeçais o Espírito Santo de Deus."

(Efésios 4,30)

No original grego:

μὴ λυπεῖτε

(mē lypeite)

O verbo λυπέω (lypéō) significa causar tristeza, afligir, entristecer profundamente.

É impressionante pensar que nossas escolhas podem entristecer o Espírito Santo que habita em nós desde o Batismo.

Não porque Deus seja fraco ou vulnerável, mas porque toda rejeição ao seu amor contradiz a comunhão para a qual fomos criados.


A cruz revela o verdadeiro peso do pecado

Às vezes pensamos que determinado pecado é pequeno.

Mas basta olhar para a Cruz.

Se o pecado fosse algo insignificante, não teria sido necessária a Paixão do Filho de Deus.

São Pedro escreve:

"Fostes resgatados... pelo precioso sangue de Cristo."

(1 Pedro 1,18-19)

Cada pecado possui um custo infinito porque foi necessário o sacrifício do próprio Filho de Deus para oferecer ao homem o caminho da reconciliação.

A Cruz é o maior testemunho da gravidade do pecado e, ao mesmo tempo, da infinita misericórdia de Deus.


O amor sempre convida ao recomeço

Apesar da gravidade do pecado, o Evangelho jamais termina na condenação.

São João escreve:

"Se alguém pecar, temos um Advogado junto do Pai: Jesus Cristo, o Justo."

(1 João 2,1)

O próprio Cristo instituiu o sacramento da Reconciliação quando disse aos Apóstolos:

"Àqueles a quem perdoardes os pecados, serão perdoados."

(João 20,23)

O pecado rompe a amizade.

A graça restaura essa amizade.

Essa é a beleza da misericórdia cristã.


E se víssemos os Mandamentos como declarações de amor?

Talvez toda a nossa vida espiritual mudasse.

Em vez de perguntar:

"Até onde posso ir sem pecar?"

Perguntaríamos:

"Como posso amar mais Aquele que me amou primeiro?"

Em vez de enxergar os Mandamentos como limites, passaríamos a vê-los como sinais colocados por um Pai que conhece perfeitamente o caminho da verdadeira felicidade.

São João resume essa verdade em uma frase extraordinária:

"Os seus mandamentos não são pesados."

(1 João 5,3)

Não porque sejam fáceis sem esforço, mas porque a graça de Cristo torna possível aquilo que nossas forças sozinhas jamais conseguiriam realizar.

Quanto mais amamos a Deus, menos os Mandamentos parecem um fardo e mais se tornam expressão da liberdade dos filhos de Deus.


Conclusão

Cada Mandamento é uma palavra de amor pronunciada por Deus ao coração humano. Eles não existem para restringir nossa liberdade, mas para protegê-la e conduzi-la ao seu verdadeiro fim: a comunhão com o próprio Deus. Quando compreendemos isso, percebemos que violar um Mandamento nunca é apenas cometer um erro moral. É ferir uma amizade, enfraquecer nossa capacidade de amar e colocar uma criatura acima do Criador.

No entanto, a última palavra nunca pertence ao pecado. A última palavra pertence à misericórdia. O mesmo Deus que nos deu os Mandamentos é aquele que enviou seu Filho para morrer e ressuscitar por nós, oferecendo-nos o perdão sempre que nos arrependemos sinceramente. Cada confissão bem feita, cada ato de conversão e cada esforço para viver os Mandamentos é uma resposta ao amor daquele que nos amou primeiro.

Se aprendermos a olhar os Dez Mandamentos não como um código frio de proibições, mas como um verdadeiro mapa do amor de Deus, nossa vida espiritual será transformada. Descobriremos que obedecer não é perder a liberdade, mas encontrar a alegria de viver como filhos amados do Pai, permanecendo no amor de Cristo e caminhando rumo à santidade para a qual fomos criados.

Os Dez Mandamentos não foram dados por Deus como um conjunto de proibições destinadas a limitar a liberdade humana. Pelo contrário, são a expressão concreta de seu amor e o caminho seguro para a verdadeira felicidade. Quando os observamos, respondemos com gratidão ao amor daquele que primeiro nos amou. Quando os violamos deliberadamente, especialmente em matéria grave, colocamos nossa vontade contra a vontade de Deus e rompemos, em maior ou menor grau, a comunhão de amor para a qual fomos criados.

À luz da doutrina católica, portanto, o pecado não é apenas a infração de uma norma. É uma recusa ao amor de Deus, uma preferência desordenada por nós mesmos ou pelas criaturas em lugar do Criador. Isso não significa que todo pecador sinta ódio emocional por Deus, mas que, objetivamente, toda escolha consciente contra os mandamentos contradiz o amor devido ao Senhor.

A Boa-Nova do Evangelho, porém, não termina no pecado. Cristo veio precisamente para reconciliar os pecadores com o Pai. Aquele que se arrepende sinceramente, confessa seus pecados e retorna à amizade com Deus encontra sempre a misericórdia infinita revelada na Cruz. Como ensina São João: "Nós amamos porque Ele nos amou primeiro" (1 João 4,19). A resposta mais autêntica a esse amor é viver cada dia procurando guardar os mandamentos, não por medo do castigo, mas porque desejamos permanecer unidos Àquele que nos criou, nos salvou e nos chama à vida eterna.

Por que Jesus afirmou que só faz parte da sua família quem faz a vontade de Deus? Ao dizer isso, Ele estaria diminuindo o papel de Maria?

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